
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga o tráfico de pessoas ouviu ontem, em Curitiba, o principal suspeito de promover adoções internacionais supostamente ilegais no Paraná. Apontado como representante da ONG norte-americana Limiar, Audelino de Souza intermediou adoções de sete crianças de São João do Triunfo, na Região Sudeste do estado. Além de escutar as explicações de Audelino, a CPI esteve na Assembleia Legislativa do Paraná para ouvir representantes do Ministério Público e receber novas denúncias.
Segundo os integrantes da comissão, a CPI investiga pagamentos feitos por estrangeiros à ONG para a adoção de crianças brasileiras. Além disso, há suspeitas de casos em que a destituição de pátrio poder teria sido feita de forma irregular.
Lino, como o suposto representante da ONG é conhecido, negou qualquer ilegalidade nos processos de adoções que intermediou. Ele ainda entregou uma carta do presidente da Limiar nos Estados Unidos, na qual é declarado representante idôneo da organização. "Fiquei muito chocado com tudo isso que foi colocado. Nunca recebi dinheiro nenhum de familiares [para conseguir adoções]. Eu recebo apenas pelos meus honorários", explicou. O depoente ainda ressaltou que recebe atualmente, como autônomo, da sede norte-americana.
A suspeita, de acordo com um dos integrantes da CPI, deputado federal Fernando Francischini (PEN-PR), é que havia pagamentos por adoção de U$S 9 mil. A comissão investiga ilegalidades em 355 casos de adoção de crianças paranaenses e catarinenses. Segundo ele, elas teriam ocorrido em 29 cidades do Paraná e seis de Santa Catarina.
Contradições
Para Francischini e para o presidente da comissão, deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), houve uma série de contradições durante o depoimento. "O presidente da ONG no Brasil, Ulisses da Costa, afirmou que Souza não representa a Limiar. Parece que há uma disputa interna no grupo", ressaltou.
Segundo ele, as investigações encontraram movimentações financeiras suspeitas nas contas de Souza. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe a obtenção de lucro na intermediação de processos de adoção. "De R$ 160 mil declarados [de patrimônio], ele passou para R$ 400 mil. Tem mais de R$ 200 mil em vários bancos também", conta Francischini. Souza, no entanto, informou que tinha apenas uma conta bancária e dois apartamentos. Um terceiro seria comprado logo.



