
Com uma diferença de poucas horas, os cariocas tiveram dois retratos distintos da polícia do Rio de Janeiro: enquanto um grupo foi flagrado, no início da noite de quarta-feira, transportando armas e traficantes da Rocinha em troca de R$ 2 milhões, outros policiais, no fim da mesma noite, recusaram um suborno de R$ 1 milhão e tiraram de circulação Antônio Bonfim Lopes, o Nem, o chefe do tráfico de drogas da Rocinha, que tentava escapar da favela.
O grupo que honrou a farda era composto por dez agentes do Batalhão de Choque da PM (BPChoque). O advogado que acompanhava Nem ofereceu R$ 1 milhão e ouviu do tenente Disraeli, que coordenava a blitz, uma resposta que deveria ser padrão: "Acho que o senhor não está entendendo a situação. Sou um policial militar e você está preso. Vamos conduzi-lo até a delegacia da Polícia Federal". "Mostramos que quem veste essa farda honra essa farda", disse o cabo André Souza, do BPChoque. O salário de um cabo da PM do Rio não ultrapassa R$ 1.500.
O bandido mais procurado do Rio foi preso sem a necessidade de a polícia disparar um único tiro. O traficante estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado em uma das barreiras montadas pela polícia na Rocinha. Havia três pessoas dentro do veículo.
O advogado de Nem dirigia o carro e primeiramente se identificou como cônsul do Congo, alegando imunidade diplomática, para não permitir que o carro fosse revistado. Diante dessa afirmação, os policiais do Choque decidiram escoltá-lo até a Polícia Federal. O motorista, então, teria oferecido suborno aos PMs: primeiro R$ 20 mil e depois R$ 1 milhão. Foi quando os policiais lhe deram voz de prisão e abriram o porta-malas, flagrando um traficante acuado pelos planos do governo do Rio de ocupar a favela no próximo domingo e instalar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
Catanduvas
O criminoso poderá ter como destino o presídio federal de Catanduvas, no Oeste do Paraná. Ontem mesmo, o governador do Rio, Sérgio Cabral, solicitou à Justiça a transferência de Nem para uma penitenciária de segurança máxima fora do estado do Rio de Janeiro. O traficante passou a madrugada na carceragem da PF e no fim da manhã foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Inaugurada em 2006, a unidade de Catanduvas já recebeu outros chefões do tráfico carioca, como Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco, Marcinho VP e Isaías do Borel, entre outros.
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