O Procon do Paraná abriu um processo administrativo contra a empresa Ibicred/Ibibank S/A, acusada de propaganda enganosa e métodos comerciais coercitivos ou desleais. Foi ajuizada uma multa cautelar de R$ 300 mil contra a financeira.
Segundo o presidente do Procon-PR, Algaci Túlio, o problema é o tipo de abordagem realizada. "A principal reclamação dos consumidores é a forma, às vezes constrangedora, da abordagem na rua, no centro de Curitiba, por grupos de funcionários da empresa com ofertas de brindes, que não existem, para que entrem na loja", disse.
Assim que os funcionários conseguem levar o potencial cliente para as dependências da loja, as pessoas, na maioria das vezes idosos e de baixa renda, são envolvidas pelo poder de convencimento dos promotores. "Lá são, então, induzidos a adquirirem, sem qualquer informação, produtos e serviços que não necessitam ou nem mesmo têm conhecimento, como financiamentos, seguros, seguro saúde, cartão de crédito e outros, e que geram despesas", disse Túlio.
O líder de vendas da Ibi em Curitiba, Daniel Martins, afirma que nenhum cliente é obrigado a adquirir os "produtos financeiros". "Nunca oferecemos brindes. No treinamento dos promotores, que eu mesmo comando, orientamos para que eles ofereçam nossos produtos financeiros, mas nunca obrigamos ninguém a aceitar. O cliente só vai adquirir o cartão de crédito, por exemplo, se assinar o contrato", disse.
O tipo de abordagem que cada promotor promove é diferente de um caso para o outro. As metas de venda podem influenciar diretamente na maneira da abordagem. "Os supervisores orientam os promotores a criar um clima favorável à venda. A pressão é muito grande e as metas forçam os funcionários a radicalizar e apelar para um tipo de abordagem mais agressiva. Os supervisores sabem disso e incentivam", disse Tina Santos, administradora, e que trabalhou por 3 anos na empresa C&A, que foi uma das grandes parceiras do IbiBank.
Está declaração é negada por Daniel Martins, líder de vendas da empresa. "Eu não acho agressiva, mas depende do ponto vista. Nos dias de hoje um vendedor precisa ter atitude, senão não vende nada", disse. Quanto aos brindes oferecidos e citados pelo presidente do Proncon-PR, Algaci Túlio, o funcionário nega. "Isso não existe. A única coisa que oferecemos gratuitamente é o nosso cartão, que não tem custo nenhum para o cliente", disse Martins.
A empresa tem 10 dias, após a notificação, para pagar a multa de R$ 300 mil ou apresentar recurso contra a decisão. O funcionário disse que ainda não foram notificados.



