A oferta de serviços antes só disponíveis no anel central nos bairros de Curitiba fez com que, nas últimas décadas, o centro se tornasse um local com pouco apelo para moradia. Como conseqüência, vieram também o abandono, o barulho e a falta de segurança na região. Para mudar este quadro, o Programa Centro Vivo, que se propõe a revitalizar a área, está com um desafio: desenvolver ações que resgatem a vocação residencial do centro da capital.
O trabalho foi iniciado ontem no II Seminário Habitacional, que reuniu representantes da Associação Comercial do Paraná (ACP), iniciativa privada, entidades de classe, organizações não-governamentais, poder público municipal e estadual. "Não conseguiremos revitalizar o centro sem levar gente para morar nele", justifica o coordenador dos grupos do seminário, Jorge Biancamano.
O primeiro Seminário Habitacional foi realizado no ano passado, quando foram desenvolvidos estudos e pesquisas que apontaram o perfil do morador da região e formas de resolver os principais problemas. Nesta edição, a idéia é buscar parcerias para pôr em prática tudo o que foi discutido na reunião anterior.
Problemas
Os principais problemas do centro citados pelos 400 moradores que responderam à pesquisa da ACP, no ano passado, foram (nesta ordem): segurança, calçadas, presença de pedintes, pivetes, mendigos e prostitutas, congestionamento e trânsito, estacionamentos e poluição sonora. Outro fator apontado pela pesquisa é em relação à dinâmica populacional. Enquanto a população da região metropolitana de Curitiba cresce 1,83% anualmente, a do centro diminui 2,33% todos os anos.
O estudo também apontou que a população do centro é composta basicamente por idosos que residem há muitos anos no mesmo local e por jovens solteiros que costumam permanecer por pouco tempo na região. A partir desta constatação, os especialistas defendem que o caminho é garantir a permanência desse público alvo na região. Para isso, a intenção é oferecer infra-estrutura necessária para o conforto e bem-estar dos idosos e a remodelação de uma série de fatores nos aparelhos habitacionais que permitam que os jovens constituam família e permaneçam morando no centro.
Ações
Dentro dessas propostas, a primeira ação focada é a reformulação dos aparelhos habitacionais. Antigos e ultrapassados, os imóveis não possuem os requisitos procurados pela família moderna, como espaço para lazer no interior dos condomínios, suítes, garagens com vagas para dois carros, entre outros. A intenção é usar leis de incentivos para reformas e, concomitantemente, promover campanhas de comunicação para promover os imóveis da região.
Junto a isso, para melhorar a infra-estrutura do bairro como um todo, vários pontos estão na pauta. Estuda-se a construção de estacionamenos nos subsolos de praças, para aumentar a oferta de vagas e reduzir os preços. No quesito segurança, mais 18 câmaras devem ser instaladas nos pontos ao redor da Rua XV, de onde fugiram os bandidos quando o logradouro ganhou o monitoramento. Desta forma, a Marechal Deodoro, a Praça Tiradentes, o Largo da Ordem e as travessas da XV devem ganhar um equipamento de monitoramento mais sofisticado e móvel, o que vai permitir uma fiscalização mais eficiente da área. A Polícia Militar também está sendo chamada a promover um policiamento ostensivo na área, com policiais que possam patrulhar unicamente a região central.
O mau cheiro registrado em alguns pontos seria amenizado com a despoluição do Rio Belém e Rio Ivo que passam pelo centro da cidade e com a eliminação dos esgotos clandestinos, que correspondem a 20% do total de ligações. Além disso, moradores, carrinheiros e comerciantes devem ser educados e, posteriormente, fiscalizados, em relação ao armazenamento e horário de coleta do lixo. Banheiros públicos, novas calçadas, melhoria em alguns pontos de iluminação pública, revitalização das ruas Marechal Deodoro, Rio Branco e Richuelo são outras melhorias previstas pelo programa.






