
A proposta da prefeitura de Curitiba, de implantar um Veículo Leve sobre Pneus (VLP) usando o traçado da linha férrea no sentido norte pode ser uma solução para o sistema de transporte da cidade, mas não deve alcançar o desejo dos moradores de bairros como Alto da XV e Barreirinha. Isso porque o transporte de cargas não será desviado, como há muito tempo desejam os cidadãos diretamente afetados pela movimentação dos trens.
O conceito básico é implantar um sistema elevado sobre os trilhos, mantendo o antigo sistema inalterado. O projeto executivo está sendo desenvolvido pelo escritório de arquitetura do ex-governador Jaime Lerner e será repassado sem custos para a prefeitura.
INFOGRÁFICO: Veja o projeto no mapa
A ideia demonstra que o contorno ferroviário de Curitiba, demanda antiga da cidade, passou a um estado de desengano. Os projetos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para expansão da rede férrea, apresentados em julho último, não preveem a desativação do traçado urbano, apesar dos apelos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Um projeto paralelo lançado pelo governo federal em 2009 também não andou. Naquele ano, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) chegou a empenhar R$ 8 milhões para a obra, natimorta pela burocracia estatal. Houve ainda outras quatro propostas semelhantes ao longo da década passada, mas nenhuma delas chegou ao final da linha.
O projeto do VLP, ao aceitar a permanência do transporte de carga, abre a discussão sobre as potencialidades de uma linha férrea cortando a mancha urbana da cidade. "Tivemos sorte em manter um traçado férreo atravessando bairros importantes e que não sofreu nenhum tipo de especulação imobiliária. Não será necessário pagar desapropriações, o que diminui bastante os custos", salienta Ramiro Gonçalez, professor do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Outra crítica comum às linhas férreas urbanas é a propensão a dividir um bairro em dois espaços que não se comunicam, um problema que está parcialmente resolvido em Curitiba. Como a linha precede o crescimento dos bairros, estes se expandiram em vetores opostos ao traçado, consolidando limites entre Alto da XV e Cristo Rei; entre Hugo Lange e Jardim Social.



