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Infância e adolescência

Projeto de R$ 48 mi combaterá violência juvenil

20 mil crianças e adolescentes serão atendidos em dois anos em 10 municípios paranaenses

Confira os índices de violência dos dez municípios escolhidos |
Confira os índices de violência dos dez municípios escolhidos (Foto: )

O governo do estado vai destinar R$ 48 milhões para combater a violência entre os jovens. O programa Atitude foi lançado no início desta semana com a promessa de ser o maior projeto desenvolvido no estado específico para a infância e adolescência. Serão 20 mil crianças e adolescentes atendidos em dois anos. Dez municípios foram escolhidos. O objetivo e o esforço são nobres: diminuir os altos índices de homicídios nesta faixa etária. Somente em Londrina e em Foz do Iguaçu foram assassinados 2.341 jovens em menos de 10 anos. Registros dos conselhos tutelares do estado mostram que em 2007 houve 55.797 notificações de violência contra crianças e adolescentes.

Os profissionais trabalharão com cinco eixos principais. O primeiro é o fortalecimento dos vínculos familiares, seguido pela criação de redes de proteção. O programa inclui também a participação da juventude, atendimento a usuários de álcool e drogas, capacitação profissional e redução da violência praticada e sofrida por jovens. Os adolescentes que se destacarem no programa atuarão como mobilizadores e receberão uma bolsa de R$ 100. Entre as atividades estão oficinas de artes e educação física. As atividades começam em abril.

Além do tamanho, o Atitude também traz uma metodologia diferenciada, com a união entre o poder público e a comunidade e o incentivo ao protagonismo juvenil. O programa é encabeçado pela Secretaria de Estado da Criança e da Juventude, mas envolve a participação de pelo menos mais seis secretarias, entre elas a da Educação, Trabalho, Emprego e Promoção Social e Segurança Pública. Entre os municípios selecionados estão aqueles com maior índice de violência cometida contra o jovem e pelo jovem. Entram na lista Almirante Tamandaré, Cascavel, Cambé, Colombo, Foz do Iguaçu, Londrina, Piraquara, Ponta Grossa, Sarandi e São José dos Pinhais.

Durante toda a última semana 170 profissionais selecionados para iniciar o projeto passaram por um treinamento na capital. Além disso, também farão uma especialização em políticas públicas para a infância durante dois anos como parte da formação continuada. Cada comunidade selecionada terá uma equipe formada por dois psicólogos, um assistente social, um professor de educação física e um de educação artística, além de estagiários e voluntários.

Em Colombo as comunidades escolhidas para sediar o programa são Rio Verde, Jardim Osasco e Guaraituba. A iniciativa é bem vista pelos líderes comunitários e professores da região. O tráfico de drogas está tão presente na realidade de crianças e adolescentes que muitos deixam de estudar ou preferem se matricular em escolas mais distantes.

A líder comunitária Juceni Rosa Vidolin também acredita que o programa dará bons frutos. Ela tem conhecimento de causa: foi coordenadora da Pastoral da Juventude em Colombo durante dez anos. Para Juceni, 90% da violência no município está relacionada com o tráfico de drogas. "Estamos perdendo nossas crianças e adolescentes para as drogas. O projeto é para ontem". Ela reclama também da falta de espaços públicos para a infância e juventude. Faltam praças, canchas e espaços de lazer.

Na Escola Estadual Professor Heráclito Fontoura Sobral Pinto o problema é a violência fora dos muros escolares. Apenas uma ponte divide os bairros do Guaraituba e Jardim Eucalipto, onde está localizada a instituição. Mas a pequena divisão é o suficiente para o aparecimento de gangues e conflitos de território. O resultado é o medo dos estudantes em ir para a aula. Na semana passada a escola foi apedrejada durante a tarde por um grupo de garotos da comunidade.

O diretor Francisco Purcotes assumiu o cargo há menos de um mês e já conseguiu resultados positivos. Quer trazer os pais e a comunidade para dentro da escola, construiu mesas de xadrez e ping pong e quer voltar a fazer festas juninas na escola. Na última, há quatro anos, ouve um tiroteio. Ele acredita que o programa Atitude vai ajudar a mudar esta realidade. "Os jovens precisam de atividades, de algo que incentive seus potenciais". É esperar para ver.

Capacitação

Entre os palestrantes que participaram da capacitação dos profissionais que atuarão no Atitude estavam representantes dos programas Fica Vivo, de Minas. Somente com esta experiência, uma comunidade de Belo Horizonte teve redução de 40% no número de homicídios juvenis em um ano. A iniciativa foi ampliada para todo o estado e nos locais onde atua há uma média de redução de 20% nos homicídios. "Esses são os resultados que podemos mensurar. Muitos outros só virão a longo prazo, mas com certeza ajudarão a transformar a nossa juventude", diz a diretora de promoção social da juventude, Kátia Simões.

O Fica Vivo existe desde 2002 e oferece oficinas de esporte, lazer, cultura e comunicação. Três jovens do programa vieram contar como é a sua participação no Fica Vivo. O professor e rapper Mano Boo e as irmãs Estephanie e Thais Freitas, de 16 e 15 anos, vieram do Morro do Papagaio, em Belo Horizonte, e também cantaram suas letras de rap para a plateia. "Em nossa comunidade estamos há cinco meses sem ninguém ter sido morto", comemora Mano Boo. "Isso em uma favela já é uma grande diferença. E vamos bater o recorde. Antes morria pelo menos um por semana."

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