Como não saiu do papel há alguns anos, o plano para retirar os trilhos do transporte ferroviário de cargas de Curitiba terá de sair do zero. A assessoria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) confirmou que não há licenciamento ambiental para a construção de uma nova malha. Segundo a assessoria, em 9 de março de 2007, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) protocolou um requerimento de licenciamento ambiental para o Contorno Ferroviário, uma linha de 43,7 quilômetros que passaria por Araucária, Campo Magro e Almirante Tamandaré, possibilitando que a malha que corta Curitiba fosse desativada (esta é apenas uma das opções que estão sendo analisadas pelo governo federal).
Quando o Ippuc protocolou o requerimento, de acordo com o IAP, teria sido informado da necessidade de declaração de utilidade pública das áreas que seriam desapropriadas. Desde então, segundo o Instituto Ambiental do Paraná, não houve mais nenhuma manifestação por parte do Ippuc.
O presidente do Ippuc, Cléver Teixeira, diz que o momento é outro e que um novo estudo de viabilidade socioeconômica e ambiental será feito a pedido do governo federal. A prioridade agora não é o Contorno Ferroviário, mas o Plano Diretor Multimodal, que prevê a construção de outra linha, ao longo do contornos rodoviários Sul e Norte, e a leste, ligando ao aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
População
O engenheiro Paulo Sidney Ferraz, da diretoria do Sindicato dos Engenheiros do Paraná e especialista em transporte ferroviário, acha que a malha deveria ser instalada em uma área com menos população. "A melhor solução seria transferir para áreas rurais, desde que fosse feito um estudo de impacto ambiental. Desse jeito as reclamações vão continuar."
A população que mora no entorno da linha férrea que liga Curitiba ao litoral do estado e a que vive no entorno do Contorno Rodoviário, que poderá receber a nova malha ferroviária, não conhece o projeto da prefeitura de Curitiba. Alguns chegam até a duvidar que os trilhos vão mesmo mudar de lugar. "Isso é papo furado", diz o comerciante Fernando de Andrade, 45 anos, há 26 anos morando no bairro São Braz, ao lado da rodovia que poderá receber a ferrovia. "Só sabem falar. Há anos falam em metrô e até agora não tem e nem vai ter."
A dona de casa Ivanir Cordeiro Santos Silva, 56 anos, também moradora do São Braz, é outra que desconhece o projeto. "Eu nunca ouvi falar nisso. Acho meio difícil colocarem um trilho de trem aí", arrisca. Ela diz que o barulho da rodovia já atrapalha e que teme não dormir mais à noite se um trem passar pelo local.
No outro lado, no trecho previsto para a retirada dos trilhos, no bairro Cajuru, os moradores comemoraram ao saber que a malha pode ser desativada. "Antigamente eu não ligava para o barulho, porque me acordava pra ir trabalhar, mas agora incomoda", comenta o marceneiro aposentado Vanderlei Azevedo, 59 anos, que há 35 anos mora na frente do entrocamento da malha que segue para Pinhais e da linha que leva ao pátio da América Latina Logística. (JML)



