Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Questão agrária

Promessas fazem MST deixar Curitiba

Após cinco dias acampados na região central de Curitiba – na Rua Doutor Faivre, em frente à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná – no início da noite de ontem, os cerca de 600 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desmontaram as barracas, recolheram os pertences e começaram o retorno a seus assentamentos espalhados por todo o estado. A decisão foi tomada depois de um dia cheio de reuniões e negociações com representantes do Incra e do Tribunal de Contas da União (TCU).

"Conseguimos retorno positivo principalmente em questões ligadas à habitação e à infra-estrutura", afirma a coordenadora do MST Solange Luísa Parcianello. O presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, esteve ontem em Curitiba para resolver o impasse e fez uma série de promessas positivas aos agricultores. "Grande parte dos recursos está garantida para o Paraná", afirmou.

Entre os pontos destacados por Hackbart está a disponibilização ao Paraná de R$ 15 milhões a serem investidos em habitações. "Nós vamos garantir o dinheiro para isso de acordo com a capacidade de aplicação. Esse dinheiro está no orçamento e se não for usado neste ano volta aos cofres", ressaltou o presidente. Das 77 áreas a serem compradas ou desapropriadas para fixar 8 mil famílias do movimento, 10 devem ter a situação regularizada até o fim deste ano. "Com isso atingiremos 2 mil famílias assentadas no estado em 2006", diz o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda.

Entre outras conquistas do MST estão a liberação de R$ 258 mil para projetos voltados à educação e R$ 274 para ações ligadas à agroecologia. Na negociação com o TCU, o MST conseguiu a oportunidade para apresentar nova defesa a respeito de irregularidades encontradas em prestações de contas que resultaram em uma suspensão cautelar de pagamentos voltados à assistência técnica. "Estou otimista para resolver esse embróglio com o TCU. Estamos impedidos de pagar assistência técnica no Paraná desde junho", explicou Hackbart.

O secretário de Agricultura Familiar, Valter Bianchini, anunciou que dívidas coletivas com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem R$ 1 bilhão à disposição do Paraná, poderão ser individualizadas. "Assim, acreditamos que esses recursos terão mais liquidez para chegar às famílias", afirma Bianchini.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.