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Julgamento

Promotoria pede absolvição de três PMs envolvidos no Massacre do Carandiru

O promotor destacou que eles não entraram nos corredores do segundo pavimento do pavilhão 9 e, por isso, não tiveram participação nas 13 mortes que ocorreram no local

A promotoria pediu a absolvição de três policiais militares réus do Massacre do Carandiru neste sexto dia de julgamento, que acontece no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

De acordo com o promotor Fernando Pereira da Silva os réus Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues não participaram da ação. Segundo o promotor, eles não eram da Rota (tropa de elite da corporação), e sim do Canil.

O promotor destacou que eles não entraram nos corredores do segundo pavimento do pavilhão 9 e, por isso, não tiveram participação nas 13 mortes que ocorreram no local. "Eles ficaram nas escadas, dando proteção à tropa. A ação de ambos não ocorreu no interior daquele pavimento".

Pereira também pediu a absolvição do policial militar Roberto Alberto da Silva desse processo e que ele fosse julgado posteriormente no bloco que agrega PMs que atuaram no terceiro pavimento. O motivo: os policiais julgados durante essa semana são os que invadiram o segundo pavimento e Silva participou da invasão no terceiro pavimento.

Os debates entre a promotoria e a defesa dos 26 PMs envolvidos no Massacre do Carandiru começaram na manhã de hoje. Os policiais são acusados de matar 15 presos durante o motim que resultou na morte de 111 presidiários, em 1992.

Tanto a acusação quanto a defesa terão 3 horas para realizar o debate. Cada um terá direito à réplica e à tréplica que deve durar cerca de 2 horas cada. De acordo o Tribunal de Justiça, após o debate, os jurados deverão decidir se os policiais serão condenados ou não pelo massacre. A decisão pode ser divulgada na madrugada de domingo.

Ao todo, 24 PMs foram chamados para depor, mas 20 deles não quiseram se defender e usaram o direto de permanecer calados. Eles afirmaram que seguiram orientação da advogada Ieda de Souza e, também, uma forma de não cansarem os jurados. Outros dois policiais, porém, não compareceram em nenhum dos dias de júri. Outros três julgamentos de outros policiais acusados pelas 111 mortes de detentos durante a invasão deverão ocorrer.

Ontem foram ouvidos os dois oficiais responsáveis pela ocupação do segundo pavimento do pavilhão 9, o então capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos (hoje tenente coronel da reserva) e o então tenente Aércio Dornellas Santos (hoje major da reserva).

Ambos afirmaram que, como comandantes da Rota, receberam ordens para ocupar o andar. Cada um deles foi responsável pela invasão de um lado do corredor. Ronaldo, do lado direito. Dornelles, do esquerdo.

Além de Dornellas, foram ouvidos também o então sargento Marcos Antônio de Medeiros, que, durante a ação, portava uma metralhadora. Ele disse que atirou três ou quatro vezes e que não usou a arma no sistema de rajadas. Nos primeiros dias, as testemunhas de acusação disseram ouviram rajadas de metralhadoras durante a invasão.

O soldado Marcos Ricardo Polionato, que agora trabalha no Corpo de Bombeiros, também depôs e disse que, na ação, foi ferido de raspão por uma bala. Sua versão foi contraditória com o depoimento que deu na fase de inquérito. Na época, ele disse que tinha visto 10 a 15 corpos de presos. Hoje, ele afirmou que viu oito.

Já o Ronaldo Ribeiro dos Santos afirmou que "não houve condições de usar armas não letais. Não existia balas de borracha". Ele completou ainda: "Nós entramos, reagimos e dominamos".

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