Um em cada grupo de 93 paranaenses casou-se no ano passado, segundo a pesquisa "Estatísticas do Registro Civil 2005", divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Paraná teve 55.151 casamentos em 2005, um número 4,5% maior do que o registrado em 2004. Em relação ao quadro nacional (e também à média da Região Sul do país), o paranaense lidera nos casamentos: 1,07% da população casou-se no ano passado, contra 0,9% na média nacional.
Curiosamente, o porcentual elevado de casamentos no estado é observado no mesmo momento em que há um aumento nos casos de divórcio. Os dados do IBGE mostram que foram registrados 9.053 divórcios no Paraná em 2005, 11,07% a mais do que em 2004.
Os dois índices seguem uma tendência nacional. Em todo o país, a quantidade de casamentos aumentou 3,58%. O número de divórcios subiu 15,5% no ano passado, e a taxa foi a maior já registrada desde 1995: 1,3 para cada mil pessoas de 20 anos ou mais de idade.
Para a juíza Joeci Machado Camargo, da 4.ª Vara da Família de Curitiba, uma das explicações para tais números está na melhora do acesso da população mais pobre à Justiça. "Em 2003 foi criado o programa Justiça nos Bairros, com objetivo de atender famílias carentes camada da população geralmente sem acesso à Justiça. Fizemos cerca de 1,3 mil divórcios por meio desse programa no ano passado. O mesmo ocorreu em relação ao casamento. Temos as cerimônias coletivas. Em uma delas reunimos 1.434 casais em frente do Palácio Iguaçu", relata a juíza.
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Análise do Comportamento (NAC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lídia Weber, os dois números aumento de casamentos e divórcios não são conflitantes. "O casamento continua em alta. Pesquisas indicam que 92% das pessoas casam-se em algum momento da vida", diz ela.
A dona de casa Simone Janaína dos Anjos, 22 anos, e o assistente administrativo Élsio Antônio dos Anjos, 32 anos, engrossam as estatísticas dos que se casaram recentemente. E eles têm na ponta da língua as vantagens do matrimônio: "Você tem alguém para conversar, para quem pode contar muita coisa. É uma pessoa que pode te dar uma mão. É muito gostoso". Simone não esconde, porém, a existência de dificuldades na relação. "Brigas existem, mas, ainda assim, eu nunca quis mandar ele embora", brinca a dona de casa.
A paciência e a capacidade de superar os conflitos, no entanto, são cada vez mais uma exceção nas relações entre homens e mulheres. "O casamento virou uma espécie de eletrodoméstico. Se está com problemas, troca-se a peça", comenta Lídia Weber. A conclusão encontra respaldo no estudo do IBGE. As recentes pesquisas vêm detectando nos últimos anos um aumento constante na proporção de pessoas que estão se casando pela segunda vez. Como havia mais solteiros no "mercado matrimonial, a união legal envolvendo ao menos um divorciado representava, em 1995, apenas 8,8% do total. Dez anos depois, esse porcentual aumentou para 14,1%.







