
Cerca de 30 estudantes pertencentes ao Movimento Passe Livre (MPL) realizaram ontem mais uma manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus, que passou de R$ 1,90 para R$ 2,20 e à favor do passe livre para os estudantes de Curitiba. A manifestação deveria ser pacífica, mas os estudantes, que atearam fogo em um boneco que simbolizava o prefeito Beto Richa, quase se confrontaram com a Polícia Militar.
"Estamos aqui para barrar o aumento da passagem e pedir mais transparência no processo do cálculo tarifário realizado pela URBS", diz o estudante Luiz Pereira, de 19 anos, um dos líderes do movimento. Entidades civis e partidos de oposição querem barrar o aumento e vão às ruas coletar assinaturas para anexar a uma denúncia entregue ao Ministério Público na semana passada. O MP já abriu inquérito e vai investigar as planilhas de custos das empresas que operam o transporte.
Na manifestação de ontem, os estudantes fizeram uma caminhada pelo calçadão da Rua XV por volta do meio-dia, gritando palavras de ordem como "R$ 2,20 é extorsão" e "passe livre já" e usando megafone, batuques, faixas e bandeiras pretas.
Policias militares do 12º Batalhão e agentes da Guarda Municipal acompanhavam de perto o protesto. Quando os estudantes tentaram bloquear o cruzamento da Rua XV com a Marechal Floriano, uma menina foi cutucada com o cacetete por um dos policiais. Quando os estudantes atearam fogo ao boneco, um dos manifestantes foi agredido no pescoço por um dos PMs. Houve um princípio de tumulto. A polícia nega qualquer ato violento e garante que agiu apenas em nome da ordem.
Quase no mesmo horário, do outro lado da cidade, o prefeito Beto Richa entregava 57 novos ônibus que fazem parte do processo de renovação da frota, uma das justificativas dadas pela Urbs para o aumento das passagens. Segundo a prefeitura, até o final do ano serão comprados mais 419 novos ônibus (267 para substituição e 152 adicionais), criando uma oferta diária de 184 mil novos lugares.







