
O administrador de empresas Luiz Inácio Tadeu Muraro, 69 anos, olhou no relógio na hora em que começou o teste de som (para o evento do dia seguinte) na Praça Nossa Senhora da Salete, em frente ao Palácio do Governo, no Centro Cívico. Eram 19 horas do domingo passado. Até as 22, as badaladas da Basílica de Curitiba foram abafadas por um contínuo "som, testando, 1, 2, 3". O sino, que, em relação à praça, está quase à mesma distância da casa de Muraro que fica na Barão de Antonina era melhor. Ao menos tocava uma só vez a cada meia hora. Na segunda-feira, ele foi despertado pelos já íntimos rapazes do som às 7 da manhã. "Eu reclamei e me falaram que era preciso fazer a medição com o decibelímetro. Eu sei que estou a dez quadras de lá, mas consegui escutar o som, testando, 1, 2, 3", diz Muraro, que reclamou para a Secretaria do Meio Ambiente pelo 156 e ainda não obteve retorno.
"E eu que já liguei para o 156, a polícia, a guarda municipal e nada? Já sei que nos fins de semana é impossível dormir dentro de casa por causa do som dos carros que ficam atrás do meu prédio. Uma garotada vira a madrugada fazendo arruaça e obrigando todo mundo a ouvir a sua música", comenta o corretor de imóveis Jorge Eli de Barros Lima, 48 anos, morador da Vila Guaíra, que já chegou a se mudar de travesseiro e cobertor para dentro do carro. "Lá eu consigo dormir." A estes dois relatos se somam outros tantos de moradores não menos irritados com a barulheira da cidade grande. E os vilões variam: apitos de trens, ônibus, fábricas, baderneiros, casas noturnas, templos, vizinhos e cachorros.
Segundo Mário Sérgio Rasera, superintendente de Controle Ambiental da prefeitura, 65% das reclamações recebidas pelo 156 são referentes à poluição sonora a demanda noturna é de 49% e a diurna fica com os outros 16%. Os principais alvos da fúria e reclamação dos moradores são as casas noturnas e os carros de propaganda. Aliás, estes últimos estão com a ficha suja com a comunidade e com a Justiça. "Fazer publicidade desta forma é contra a lei. Não é só uma questão de barulho", informa. No mais, a legislação sonora é igual para todo mundo: nas áreas residenciais o limite permitido é de 55 decibéis para o dia, 50 para o fim da tarde e 45 para a noite, entre as 22 e 7 horas; nas zonas estruturais e de comércio, a tolerância sobe para 65 de dia, 60 à tarde e 55 à noite. "Uma casa noturna, por exemplo, pode funcionar normalmente desde que tenha isolamento acústico satisfatório. O mesmo vale para indústrias e templos religiosos. Orientamos para que esta adequação seja prevista já no projeto, pois as adaptações futuras com o imóvel já em funcionamento são mais onerosas", comenta. A fiscalização é feita pela Secretaria do Meio Ambiente da prefeitura, mas o flagrante é necessário para a autuação. "Muita gente vê os nossos fiscais e reduz o volume do som, antes da medição. Quando eles vão embora, aumentam o som de novo. Por isso voltamos até três vezes ao local para conseguir o flagrante", diz Rasera.
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