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Enamed

Cursos de medicina têm baixo desempenho em exame e MEC deve restringir vagas

Quase um terço dos cursos de Medicina do país fica abaixo do esperado no Enamed 2025
Quase um terço dos cursos de Medicina do país fica abaixo do esperado no Enamed 2025 (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

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Um terço dos cursos de graduação em Medicina do Brasil foi mal avaliado pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, novo critério de avaliação instituído pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade da formação médica no País. Dos 351 cursos analisados, aproximadamente 99 ficaram com os conceitos 1 e 2 — classificações consideradas insatisfatórias.

Na escala de avaliação, que varia de 1 a 5, notas 1 e 2 são consideradas abaixo do proficiente. Além dos cerca de 99 cursos mal avaliados, apenas 30 alcançaram a nota máxima (conceito 5), enquanto a quantidade de cursos com conceito intermediário (3 e 4) variou de acordo com a instituição.

O desempenho deficiente se concentrou, sobretudo, em determinadas categorias de instituições de ensino: cursos públicos municipais e privados com fins lucrativos foram os que mais registraram notas insatisfatórias, segundo levantamento extraoficial de desempenho. Por outro lado, instituições públicas federais e estaduais tendem a registrar melhores resultados nas faixas superiores de conceito.

Segundo dados preliminares divulgados pelo MEC, a participação dos estudantes superou 96 mil inscrições confirmadas em toda a primeira edição do exame, abrangendo concluintes e profissionais formados que optaram por utilizar o resultado também na seleção de residências médicas.

O Enamed, criado em abril de 2025 por meio de portaria do MEC, substituiu a avaliação tradicional do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de Medicina. A prova foi aplicada no dia 19 de outubro de 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais e critérios relacionados às competências profissionais esperadas de futuros médicos.

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O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou nesta segunda-feira (19), em reunião com a imprensa, que os cursos mal avaliados vão passar por penalidades. Ele lembrou que as faculdades estaduais e municipais não estão sob a gerência do ministério e por isso, não podem ser punidas.

Instituições com desempenho considerado insatisfatório podem ser submetidas a um regime de supervisão estratégica no ciclo avaliativo a partir de 2026. Isso inclui restrições administrativas como impedimento de ampliação de vagas, suspensão de vestibulares e proibição de oferta de novos cursos, além de possíveis penalidades no acesso a programas de financiamento estudantil e bolsas vinculadas ao Fies e ao ProUni.

"É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino", disse Camilo.

Entre as medidas previstas, o MEC afirmava que cursos de Medicina com desempenho abaixo do padrão poderiam enfrentar penalizações mais severas, inclusive a desativação de turmas ou fechamento de cursos, caso não haja melhoria nos indicadores ao longo do tempo.

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