
Que o voluntariado desperta a solidariedade e a autoconfiança em quem o promove, todo mundo sabe. Mas recentemente um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriu que quem se dedica ao próximo tem a expectativa de vida ampliada em até quatro anos. O estudo, divulgado em agosto deste ano, analisou mais de 10 mil pessoas e concluiu que as que agem movidas pelo altruísmo envelhecem com mais saúde e têm reduzido o risco de mortalidade.
Confira o depoimento em vídeo de Carlota Volpi de Mari, a dona Tita, sobre sua iniciação no voluntariadoAs pesquisadoras Sara Konrath e Andrea Fuhrel-Forbis descobriram que o voluntariado é capaz de propiciar um sentimento profundo e duradouro de bem-estar. Elas concluíram que as pessoas que realizaram alguma atividade em benefício do próximo nos últimos dez anos tiveram menor risco de mortalidade. Mas as estudiosas fazem um alerta: quem praticou o voluntariado por motivos "egoístas" não teve ganho algum.
Segundos as pesquisadoras, em entrevista por e-mail à reportagem da Gazeta do Povo, os benefícios existem porque nesses casos o corpo amplia a produção de ocitocina substância responsável pela ativação do amor materno que reduz o estresse, grande desencadeador de doenças graves. "Chamamos esse conjunto orgânico de sistema de cuidado, porque é uma resposta semelhante à que ocorre no cuidado maternal", explicou a pesquisadora Sara Konrath. "A ativação crônica do sistema pode neutralizar os efeitos físicos do estresse, associado a todos os tipos de doenças graves, a exemplo das cardiovasculares e do câncer."
Bom exemplo
Aos 85 anos, Carlota Volpi de Mari, a dona Tita, é um grande exemplo de como o trabalho voluntário pode trazer benefícios para o corpo e espírito. São mais de quatro décadas dedicadas à filantropia. Ainda hoje ela vai uma vez por semana ao Hospital Erasto Gaertner, onde coordena uma equipe de 24 mulheres que trabalham no setor de curativos. No hospital, os colegas são só elogios para ela. Mesmo com a idade avançada, passa quase seis horas em pé para realizar a atividade.
O grupo de dona Tita pertence à Rede Feminina de Combate ao Câncer. As 24 mulheres fazem uma "caixinha" mensal para garantir aos pacientes do hospital itens como cobertores, meias e gorros. São quase 80 peças distribuídas todas as semanas. "Só me importa se as pessoas estão felizes. Sinto que volto à vida sempre que chego ao hospital. Acho que eu recebo muito mais do que dou. Enquanto estiver em pé, estarei lá."
Juventude
A designer Taís da Silva Ribeiro, 24, pratica o voluntariado desde a adolescência. Ela fazia ações esporádicas no bairro onde morava e na escola, mas foi na faculdade que conseguiu estruturar suas boas ações. Os estudos e o trabalho limitavam o tempo que podia dedicar ao próximo, mas a jovem descobriu na internet uma aliada. Taís passou a acionar sua rede de e-mails cada vez que se deparava com alguma instituição pedindo ajuda. A participação no movimento estudantil ampliou o número de contatos e durante quatro anos os amigos e conhecidos de Taís ajudaram a organização não governamental Aliança Empreendedora a realizar projetos. "O voluntariado a pessoa faz porque quer e ponto. É uma motivação diferente daquela estabelecida em uma relação de trabalho, que envolve benefícios financeiros."
Organização
Líder da Vila Torres aposta na união de todos há 20 anos
O líder comunitário Marcos Eriberto dos Santos, 40, percebeu que a organização de moradores era a única alternativa para melhorar a qualidade de vida na Vila Torres. "Este era o caminho para sermos reconhecidos e ouvidos pelas autoridades." Marcão, como é conhecido, faz voluntariado há 20 anos no bairro. O trabalho inclui a realização de abaixo-assinados para a realização de obras e melhorias, reuniões com a Cohab para a regularização fundiária dos lotes e ações voltadas para crianças.
Santos participou da implantação da Agenda 21 na Vila Torres e trabalha com ações de educação ambiental. Em 2009, ele foi eleito presidente da associação de moradores, mas avisa que não tem ligação com políticos e que não quer disputar eleições. "Para mim o maior benefício foi o aumento da autoestima. Meu pagamento é o reconhecimento das pessoas."
Vida e Cidadania | 2:42
Carlota Volpi de Mari, a dona Tita, tem 85 anos e há quatro décadas dedica-se ao trabalho voluntário. Uma vez por semana ela vai ao Hospital Erasto Gaertner e coordena uma equipe de 24 mulheres que trabalham no setor de curativos.
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