
Três meses de teste de um novo radar em Curitiba provaram a tese de que muitos motoristas reduzem a velocidade somente para passar pelo equipamento e depois voltam a acelerar. Um sistema instalado no início de setembro registra a passagem dos veículos em dois pontos e calcula se, ao percorrer o trecho, foi excedido o limite permitido para a via. Para cada motorista flagrado apenas no radar fixo, outros quatro foram flagrados na análise de velocidade média. Foram registrados carros que circularam a mais de 120 quilômetros por hora. Por enquanto, o sistema não está emitindo multas.
INFOGRÁFICO: Veja como funciona o novo radar
Os equipamentos estão instalados na avenida Fredolin Wolf, na região entre Santa Felicidade e Pilarzinho. No trecho, o veículo passa por dois radares fixos, distantes 950 metros um do outro. Se levar menos do que 57 segundos para percorrer o trecho é porque esteve, em algum momento, acima dos 60km/h permitidos para a via. Coordenador de fiscalização eletrônica da Setran, Marcio de Souza conta que o teste tem coletado dados importantes.
Por mês, 60 mil veículos são registrados no sistema, que capta apenas aqueles que desenvolveram mais de 10 km/h. Nos primeiros 30 dias de teste, 296 teriam sido multados no radar fixo e 510 se fosse considerada a velocidade média. Em novembro, a diferença se acentuou: 107 autuações no ponto e 430 ao avaliar o tempo do percurso. Souza explica que, para efeito de cálculos, está sendo usada uma margem de erro de 10%. Sendo assim, só estão sendo considerados os veículos que passaram de 67km/h.
Contudo, alguns motoristas chegaram a passar com o dobro da velocidade permitida. Chama a atenção o caso de um veículo que passou no primeiro ponto fixo a 56 km/h e no segundo a 34km/h, mas percorreu o trecho com velocidade média de 117km/h. Sendo assim, ele deve ter passado dos 150 km/h em algum ponto do percurso velocidade incompatível com uma via urbana.
Para Souza, o caso desse motorista é uma prova muitas pessoas que infringem as leis de trânsito estão escapando da fiscalização eletrônica apenas porque reduzem o ritmo perto dos chamados "pardais". "Comprova a nossa tese de que o radar virou um redutor pontual de velocidade", diz. O local está sinalizado, indicando que são equipamentos em teste. Até o momento, o sistema flagrou em irregularidade menos de 1% do fluxo de veículos.
Os aparelhos são iguais aos já usados nas ruas de Curitiba. Apenas a forma de operação é que foi adaptada. O sistema foi desenvolvido pela Consilux, empresa que é responsável pelos radares na cidade. Dois pares de radares (um para cada sentido da via) foram instalados no dia 2 de setembro.



