Ponta Grossa O saldo da oitava rebelião no Paraná em menos de uma semana foi de oito policiais e três detentos levemente feridos e um presídio parcialmente destruído. Por aproximadamente quatro horas na manhã de ontem, o clima foi de tensão no Presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. Do lado de fora se ouviam gritos e tiros. A rebelião começou depois que um plano de fuga foi descoberto: o túnel, de seis metros, foi aberto a partir da tubulação de esgoto e dois detentos foram apanhados logo após passar pelo buraco. A polícia estima que até 120 criminosos poderiam ter escapado.
Portas de cubículos foram arrancadas, paredes quebradas e colchões queimados. Os rebelados não fizeram nenhuma exigência. Dezenas de aparelhos eletrônicos foram recolhidos, além de armas improvisadas e barras de ferro. Um telefone celular foi encontrado jogado no corredor. Os gêmeos Marcos e Márcio Lopes Ferreira, condenados por homicídio, roubo e assalto à mão armada, foram identificados como líderes do motim, e duas mulheres irmã e namorada de traficantes presos foram apanhadas em um carro estacionado em frente ao presídio. A polícia acredita que elas estavam a postos para auxiliar na fuga. A rebelião vai forçar a transferência de pelo menos 40 detentos para outros presídios. A cadeia tem capacidade para 112 presos, mas no momento abrigava 265.
Campo Mourão
Quatro presos da delegacia de Campo Mourão, na Região Centro-Oeste do estado, ficaram feridos ontem de manhã, depois que policiais do Pelotão de Choque da Polícia Militar entraram na carceragem da 16.ª Subdivisão Policial para retirar um dos 10 detentos que se recusava a ser transferido para outro presídio. Rodrigo Antônio Olegário, condenado a 13 anos e 6 meses por assalto, se negava a sair da cela. "Como era uma determinação judicial e o preso não queria a transferência, fomos obrigados a usar a força", diz o delegado-adjunto Cassiano Aufiero.
A cadeia pública contava com 129 detentos, mas tem capacidade para 64 presos. "Estamos aguardando novas transferências para os próximos dias", afirma o delegado. Durante a rebelião, que teve início no último domingo e deixou um carcereiro e dois presos como reféns, uma das exigências dos presos era a transferência de alguns condenados. Os quatros presos feridos por balas de borracha foram medicados na Central Hospitalar de Campo Mourão e levados para a Penitenciária Estadual de Maringá.






