
A Fonte Monumental, na Praça Júlio Mesquita, na região central da capital paulista, é considerada pela prefeitura a obra artística nas vias públicas que mais precisa de investimentos para ser recuperada. A arquiteta Rafaela Bernardes, da Comissão de Esculturas da Secretaria Municipal de Cultura, acredita que a recuperação dela custe em torno de R$ 500 mil.
"A gente tinha um orçamento em 2005 de R$ 350 mil. O estado de conservação dela piorou muito, então a gente acredita que gastaria R$ 500 mil hoje", afirmou a arquiteta em entrevista ao G1. Rafaela diz que, dos cerca de 400 monumentos e obras existentes nas ruas, praças e parques de São Paulo, 10% deles precisam de algum tipo de reparo.
Por causa disso, a prefeitura fez em 2005 uma lista de 60 monumentos prioritários para obras de reparo. Ainda existem 25 prioridades a lista delas está disponível no site da Secretaria de Cultura -, entre elas a Fonte Monumental, um chafariz feito pela escultora Nicolina Vaz e inaugurado em 1927, durante a gestão do prefeito José Pires do Rio.
De acordo com a arquiteta, a escultura foi comprada para ser instalada na Praça da Sé, mas depois acabou colocada na Praça Vitória, que posteriormente mudou de nome. A obra pode ser vista pelos paulistanos no cruzamento da Avenida São João com a Rua Vitória, na região central da capital paulista.
Rafaela conta que já foi feito um primeiro trabalho para a retirada de pichações na obra, mas ainda falta muita coisa. "Ela não está em funcionamento e todos os ornamentos em bronze foram retirados. A fonte tem um problema de nivelamento, ela tombou e há um desgaste maior em um dos lados. Também é preciso refazer a parte elétrica e hidráulica."
A arquiteta conta que a prefeitura conseguiu salvar alguns elementos da fonte para serem restaurados, mas que muitas peças foram retiradas da obra. No local, é possível ver que falta toda a iluminação da fonte e a aparência é de muito abandono. Há, inclusive, lixo dentro das bacias de mármore da obra.
Lembrança dos vizinhos
O garçom Valdir Antônio de Souza, de 43 anos, trabalha em um restaurante em frente à praça onde fica a fonte. Ele conta que a obra era muito bonita quando funcionava. "Até 1998, ela estava cercada, tinha as lagostas e ainda funcionava. Era muito bonito. Agora, tem até gente que dorme dentro da fonte", lamentou.
O porteiro Milton Rodrigues, de 43 anos, também recorda da fonte em funcionamento. "Era cheio de água, tinha grades de proteção, era bem bacana. Não sei o que aconteceu que acabaram com ela", disse. Ele trabalha há 16 anos na região e pega ônibus todos os dias em um ponto na Praça Júlio Mesquita.
A Secretaria de Cultura tem um projeto que procura incentivar empresas a adotar obras artísticas em São Paulo. Além da Fonte Monumental, a iniciativa privada pode ajudar na recuperação de obras como o "Monumento ao Duque de Caxias", de Victor Brecheret, na Praça Princesa Isabel, e o painel "Romeiros de Pirapora", de Júlio Guerra, na Praça Francisco Ferreira Lopes. As informações sobre como adotar estão disponíveis no mesmo link acima.



