Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Congresso

Renan intermediou compra de rádio em Alagoas

Conselho deve votar hoje 2 processos

Brasília – O empresário Nazário Pimentel confirmou ontem em depoimento sigiloso ao Conselho de Ética do Senado que o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuou como intermediário nas negociações para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas.

Sem confirmar que vai recomendar a cassação de Renan no processo, o relator Jefferson Peres (PDT-AM) disse que o depoimento de Pimentel vai ajudar a tirar conclusões sobre a denúncia contra Renan sobre o suposto uso de "laranjas" na compra de emissoras de rádios e de um jornal em Alagoas.

"No depoimento, ele confirmou que teve contato com o senador Renan, que o senador intermediou a venda do jornal ao senhor Tito Uchôa (que teria registrado o grupo de comunicação em seu nome). Mas não apontou o senador Renan como sócio nem como intermediário da operação", disse Peres.

O advogado de Renan, José Fragoso, disse que o depoimento de Pimentel não comprova o suposto envolvimento de Renan na operação com o uso de laranjas. "Pelo contrário, na época o senador Renan era ministro da Justiça. E fazer intermediação para a compra de uma rádio não é quebra de decoro. O Renan efetivamente levou a conhecimento do usineiro João Lyra a proposta do Nazário", reconheceu o advogado.

Lyra acusa Renan de ter firmado com ele sociedade oculta para a compra do grupo de comunicação em Alagoas. Segundo denúncia do usineiro, os dois teriam usado "laranjas" para comprar as emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. A defesa de Renan argumenta que Lyra se tornou inimigo político do peemedebista no estado nos últimos anos, por isso decidiu desferir as acusações contra o senador.

Pimentel disse no depoimento que após pedir ajuda de Renan para vender o grupo de comunicação a Lyra, o senador não teve mais participação nas negociações – o que beneficia a versão do peemedebista.

De acordo com os advogados de Renan, que acompanharam os depoimentos das testemunhas de defesa do senador no Conselho de Ética, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), disse que jamais ouvira falar que Renan tivesse qualquer participação em empresas de comunicação, antes de surgirem as denúncias contra o parlamentar alagoano.

"Durante a campanha eleitoral de 2006, João Lyra nunca falou nada sobre sociedade oculta ou propina para renovação de rádio, apesar de ter falado até da mãe de Renan Calheiros", testemunhou o governador.

Relatores

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), quer votar hoje os processos contra Renan. Dos três relatores, dois ficaram de apresentar seus textos hoje: Jefferson Peres e João Pedro (PT-AM). O relator do terceiro, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, disse que ainda não terminou seu texto e por isso não teria condições de apresentá-lo ainda hoje ao Conselho de Ética.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.