Rio de Janeiro A retração mais intensa do rendimento dos mais ricos e o avanço da renda dos mais pobres proporcionou uma melhora discreta da distribuição de renda do país, revela o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De 1995 a 2005, o rendimento médio do trabalhador brasileiro caiu 12,7%. Para os 40% com maiores remunerações, a retração foi maior 17,5%. Já a renda dos 10% mais pobres subiu 10,3% no período.
Diante disso, houve um avanço na distribuição do rendimento, com reflexo no Índice de Gini (medida de desigualdade), que passou de 0,592 em 1995 para 0,552 em 2005. Quanto mais distante de 1, mais perfeita é a distribuição.
Em 1995, a renda dos 10% mais ricos correspondia a 21,2 vezes o rendimento do trabalho dos 40% mais pobres. Dez anos depois, essa relação caiu para 15,8%.
Em salários mínimos, o rendimentos dos 10% mais pobres passou de 0,53 em 1995 para 0,50 em 2005. Já dos mais ricos caiu de 12,4 para 9,44 salários.
Apesar da forte depreciação da média dos salários nos últimos dez anos, o rendimento se recuperou em 2005. Cresceu 4,6% em relação a 2004.
Distribuição de renda
Para o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, porém, o principal problema social do país ainda é a má distribuição de renda.
"É a face mais grave da desigualdade que marca a sociedade brasileira. O mais importante não é a elevação da renda, mas a sua distribuição, que é o sinal maior sinal da desigualdade", disse.
Pelos dados do IBGE, o percentual de famílias com ganho mensal inferior à meio salário mínimo per capita era menor em 2005 do que em 1995 24,6%, ante 27,4%. Tal limite de renda é adotado para definir o público dos programas sociais.
Trabalho infantil
Os dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram ainda que o Brasil ainda está longe de erradicar o trabalho infantil, embora tenha havido uma significativa melhora nos últimos dez anos. Em 1995, a participação de crianças de 10 a 14 no mercado de trabalho era de 20,4%. Dez anos depois, o porcentual baixou para 11,5%.
Na faixa de adolescentes de 15 a 17 anos, a presença no mercado de trabalho cedeu de 50,9% para 41,3%.
A melhora se deve, em parte, ao maior nível de freqüência escolar, que passou de 89,8% para 97% na faixa de 10 a 14 e de 66,6% para 8% na de 15 a 17 anos.
De 2004 para 2005, porém, houve um retrocesso: o porcentual de crianças ocupadas na faixa de 5 a 17 anos saltou de 11,4% para 11,8%.
Mesmo menos presentes no mercado de trabalho, os jovens estão mais sujeitos ao fantasma do desemprego, que atinge 20,8% das pessoas economicamente ativas de 10 a 17 anos e 17,8% das com 18 a 24 anos. A menor taxa de desemprego aparece na faixa acima de 50 anos 3,4%. Na média de 2005, ficou em 9,3%.



