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construção civil

Residências sustentáveis são opção “verde” e econômica

Técnicas aplicadas na arquitetura europeia são exemplos simples e baratos de como reduzir gastos com energia

  • Katia Brembatti
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TOPO

A construção de casas que se integram bem ao meio ambiente e economizam recursos, como água e energia elétrica, é uma tendência que já pegou na Europa. Assim como os brasileiros estão incorporando o hábito de pesquisar qual é o gasto de eletricidade antes de comprar uma geladeira, os europeus já perguntam qual é o consumo energético na hora de negociar uma casa. Essas são algumas das informações sobre a relação entre arquitetura e desenvolvimento sustentável compartilhadas pelo alemão Gerhard Haus­la­den, professor da Universidade de Mu­­nique, que está no Paraná participando de um projeto de troca de conhecimentos entre o Brasil e a Alemanha.

Em palestra a estudantes de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, na manhã de segunda-feira, Hausladen relatou que alguns mecanismos propiciaram que a questão do desenvolvimento sustentável entrasse de vez na lógica construtiva na Europa. A existência de leis fixando limites de consumo de energia e o fato de o governo subsidiar – com incentivos monetários – os construtores que apostam em tecnologias mais limpas impulsionaram o setor e, segundo ele, deveriam ser medidas adotadas também no Brasil.

Para ele, é mito que as tecnologias limpas são caras demais. O professor destaca que algumas são simples e outras passarão a ser economicamente viáveis assim que forem adotadas em larga escala (portanto, deixando de ser um produto exclusivista e com mercado restrito). “É sim possível tirar esses projetos todos do papel e transformá-los em realidade”, disse.

Além disso, citou que um porcentual bastante considerável do consumo de energia em casa e no trabalho é aplicado para garantir luz, ventilação e temperatura agradáveis. Assim, se as edificações forem feitas de forma mais funcional – usando técnicas que permitem aproveitar melhor a luminosidade natural, por exemplo, menos será gasto para propiciar o mesmo conforto ambiental.

O professor sentiu a necessidade de reforçar até mesmo conceitos básicos da arquitetura, como escolher a melhor posição para construir o imóvel, levando em consideração a maior exposição ao sol. Até mesmo o tamanho das janelas tem reflexo direto na sensação térmica dentro de uma casa, destacou. “Não é possível se esquecer da questão estética também. Se não for bonito, agradável aos olhos, não será durável. E só o que é durável se encaixa no modelo de sustentabilidade”, enfatizou.

Avesso a arranha-céus, o professor alemão defende o conceito de que conjuntos residenciais com poucos pavimentos – dois ou três andares – são capazes de formar uma composição agradável, “em que uma casa protege a outra” na relação com o ambiente, como temperatura e exposição ao sol. Mas ele não é totalmente contrário aos grandes prédios residenciais. Eles seriam alternativas em algumas situações, como nos casos em que o aproveitamento do solo é essencial. Mas comenta que atualmente os europeus preferem viver em casas. “Houve uma inversão. Morar em prédio já foi uma questão de status, mas hoje está mais para uma opção para quem não tem chance de escolher”, afirmou.

Prédios públicos devem ter padrão de eficiência

O professor Gerhard Hausladen está no Brasil para participar de oficinas sobre o desenvolvimento de técnicas de eficiência energética para prédios públicos. Os cursos reúnem engenheiros e arquitetos brasileiros interessados em propor critérios para a construção governamental.

Durante esta semana, a oficina acontece em Curitiba, mas estão previstos encontros também no Rio de Janeiro e em Bra­sília. Os trabalhos serão encerrados em janeiro na Alemanha. O professor Silvio Parucker, da UFPR, participa das discussões sobre parâmetros de sustentabilidade para o manual de construção em órgãos públicos. Ele conta que o grupo busca desenvolver o método para uma certificação em eficiência energética.

A busca por meios de economizar energia é um assunto crucial para a Alemanha neste momento.

Depois do acidente nuclear de Fukushima, em consequência do terremoto no Japão em 2011, a Ale­­manha decidiu acabar com a produção de energia nuclear nos próximos dez anos. Além de procurar outras fontes energéticas, aproveitar melhor o que é produzido é palavra de ordem.

Elogio

Hausladen elogiou a matriz energética brasileira, baseada no modelo hidrelétrico, e até citou a usina de Itaipu. O professor também mencionou a dependência do modo de vida hoje calcado nos combustíveis fósseis – que forçaria, à medida que os recursos do petróleo forem se esgotando, mudanças bruscas na forma como a humanidade vive.

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