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Réveillon derrete o gelo curitibano

Em Curitiba, mobilização surgida pela internet levou mais de 20 mil pessoas à Praça da Espanha e transcorreu em paz

Evento teve poucos incidentes, mas comerciantes reclamaram dos ambulantes e da depredação da praça | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
Evento teve poucos incidentes, mas comerciantes reclamaram dos ambulantes e da depredação da praça (Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)

O Réveillon Fora de Época tirou de casa de 20 a 25 mil pessoas na noite de sábado e madrugada de domingo, segundo cálculo da Polícia Militar, que também diz ter atendido apenas duas ocorrências sem gravidade. A concentração na Praça da Espanha e região superou em cinco vezes o evento do ano passado. Em ambos, a convocação ocorreu pelas redes sociais, como Facebook e Twitter, sem que houvesse a identificação dos organizadores. Mas a festa deste ano teve diferenças em relação à versão passada: a prefeitura providenciou banheiros químicos e limpeza rápida da área; a PM garantiu policiamento e parte dos comerciantes faturou e aprovou a festa.

A sugestão de comerciantes, liderados pela Associação Brasi­lei­­ra de Bares e Casas Noturnas (Abra­bar), é que o Réveillon Fora de Épo­ca vi­­re uma festa oficial de Curitiba e se­­ja realizado na Pedreira Paulo Le­­minski, no Abranches. Atual­men­te, o local está interditado por uma liminar expedida pela 4.ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba por não ter saídas alternativas de emergência, nem equipamentos para evitar vazamento de som, além de um plano de gerenciamento do tráfego na região.

Opiniões diferentes

A mobilização também consolidou opiniões opostas. A primeira, a de que Curitiba deve celebrar um acontecimento que congrega em uma capital conhecida por ser fria, com uma população que não se mistura. "É uma celebração da diversidade, com pessoas de classes sociais e tribos diferentes", avaliou a professora Danieli Fernan­des. De fato, no espaço era possível ver "punks", "indies", "playboys", "manos" e até os "sem tribo".

Outro motivo para comemorar esse ano novo diferente – cujo pro­­pósito era honrar o ditado de que, no Brasil, o ano só se inicia após o carnaval – é o fato de que festas surgidas espontaneamente, sem a "bênção" do poder público ou da iniciativa privada, podem ser seguras. "Sou a favor de que a festa entre no ca­­lendário oficial da cidade", diz o proprietário do Restaurante e Bar Pa­­ta Negra, em frente à praça, Car­­los Aichin­ger. No estabelecimento, as vendas aumentaram 20% em relação a um sábado normal.

Sem planejamento

Por outro lado, depois do fim da fes­­ta, também foi possível ver que faltaram conscientização das pessoas e planejamento do poder público. As flores ao re­­dor da fonte e espalhadas pela praça foram pi­­so­teadas e arrancadas. "Mudas de árvores recém plantadas foram destruídas, um prejuízo estimado em R$ 50 mil", diz o dono da Cer­­ve­­jaria Devassa e presidente da Co­­missão de Segurança da Associação Batel Soho (que reúne comerciantes do local), Gustavo Costa.

Para o somellier do Restaurante La Pasta Gialla, Ademir Siqueira, es­­ta "é uma festa certa no local errado", pois o perfil dos que foram à festa – adolescentes e jovens de até 25 anos, em sua maioria – não é o mesmo dos frequentadores locais. "Com a rua fechada, muitos clientes cancelaram suas re­­ser­­vas. Deveria ser em outro lugar."

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