
O Réveillon Fora de Época tirou de casa de 20 a 25 mil pessoas na noite de sábado e madrugada de domingo, segundo cálculo da Polícia Militar, que também diz ter atendido apenas duas ocorrências sem gravidade. A concentração na Praça da Espanha e região superou em cinco vezes o evento do ano passado. Em ambos, a convocação ocorreu pelas redes sociais, como Facebook e Twitter, sem que houvesse a identificação dos organizadores. Mas a festa deste ano teve diferenças em relação à versão passada: a prefeitura providenciou banheiros químicos e limpeza rápida da área; a PM garantiu policiamento e parte dos comerciantes faturou e aprovou a festa.
A sugestão de comerciantes, liderados pela Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), é que o Réveillon Fora de Época vire uma festa oficial de Curitiba e seja realizado na Pedreira Paulo Leminski, no Abranches. Atualmente, o local está interditado por uma liminar expedida pela 4.ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba por não ter saídas alternativas de emergência, nem equipamentos para evitar vazamento de som, além de um plano de gerenciamento do tráfego na região.
Opiniões diferentes
A mobilização também consolidou opiniões opostas. A primeira, a de que Curitiba deve celebrar um acontecimento que congrega em uma capital conhecida por ser fria, com uma população que não se mistura. "É uma celebração da diversidade, com pessoas de classes sociais e tribos diferentes", avaliou a professora Danieli Fernandes. De fato, no espaço era possível ver "punks", "indies", "playboys", "manos" e até os "sem tribo".
Outro motivo para comemorar esse ano novo diferente cujo propósito era honrar o ditado de que, no Brasil, o ano só se inicia após o carnaval é o fato de que festas surgidas espontaneamente, sem a "bênção" do poder público ou da iniciativa privada, podem ser seguras. "Sou a favor de que a festa entre no calendário oficial da cidade", diz o proprietário do Restaurante e Bar Pata Negra, em frente à praça, Carlos Aichinger. No estabelecimento, as vendas aumentaram 20% em relação a um sábado normal.
Sem planejamento
Por outro lado, depois do fim da festa, também foi possível ver que faltaram conscientização das pessoas e planejamento do poder público. As flores ao redor da fonte e espalhadas pela praça foram pisoteadas e arrancadas. "Mudas de árvores recém plantadas foram destruídas, um prejuízo estimado em R$ 50 mil", diz o dono da Cervejaria Devassa e presidente da Comissão de Segurança da Associação Batel Soho (que reúne comerciantes do local), Gustavo Costa.
Para o somellier do Restaurante La Pasta Gialla, Ademir Siqueira, esta "é uma festa certa no local errado", pois o perfil dos que foram à festa adolescentes e jovens de até 25 anos, em sua maioria não é o mesmo dos frequentadores locais. "Com a rua fechada, muitos clientes cancelaram suas reservas. Deveria ser em outro lugar."



