Elegante e ético, o escritor Wilson Bueno (1949-2010) manteve-se a vida inteira sempre muito atento à produção literária dos outros poetas e escritores. E costumava ser generoso na acolhida do trabalho alheio. "A cada novo número da revista Coyote ele nos mandava um e-mail com comentários sobre a edição, sempre incentivando a continuidade da revista", conta o poeta Ademir Assunção, falando sobre o colega, assassinado em sua casa, em Curitiba, em 31 de maio deste ano.
É justamente a Coyote que traz, na próxima semana, os últimos poemas e contos inéditos do escritor curitibano, organizados pelo primo do autor, Luiz Carlos Pinto Bueno. Foi Luiz quem encontrou o corpo do poeta 24 horas após o crime. Fora assassinado aos 61 anos, a facadas, na cadeira de trabalho. O choque da descoberta está registrado também em um texto curto. "O grande inventor de línguas e estórias, com a garganta aberta dos dois lados, é o centro da cena do crime de latrocínio de que foi vítima", escreveu Luiz Carlos.
A Coyote n.º 21 sai com esse testamento literário de Wilson Bueno oito poemas do livro inédito 35 Poemas de Amor e três textos do livro inédito As Ilhas, de prosa. Os poemas publicados mostram um autor delicado, romântico, atento à imagem, mas também às visões. "Amor, de tão cortês, é um algodoal de líquens/ E plana, suspenso, entre o sonho e o sonho". Simples, ao mesmo tempo que erudito e sofisticado: "Sombras atrás das quais me escondo pasmo/ Mortal, na noite, Amor, o som da geladeira".
Serviço:
A revista Coyote custa R$ 10 e é vendida em livrarias ou direto com a Editora Iluminuras, fone (11) 3031-6161 ou pela internet: www.iluminuras com.br.



