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Segurança pública

Rocinha é retomada pelo Estado

Sem confronto, uma das maiores favelas da América Latina, localizada na zona sul do Rio, é ocupada para a instalação da 19.ª UPP

Operação Choque de Paz, que contou com a participação de 3 mil homens, foi iniciada com blindados | Sergio Moraes/Reuters
Operação Choque de Paz, que contou com a participação de 3 mil homens, foi iniciada com blindados (Foto: Sergio Moraes/Reuters)
Chefe de segurança de Nem vivia em

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Chefe de segurança de Nem vivia em

Rio de Janeiro - A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela Rocinha será a maior do Rio de Janeiro. O planejamento inicial é que 1,1 mil policiais ocupem a comunidade. Ainda não há data confirmada para essa instalação, mas estima-se que isso ocorra em 60 dias. A favela da Rocinha, na zona sul do Rio, foi ocupada pelas forças de segurança na madrugada de ontem, sem o disparo de um tiro sequer. A ocupação é o primeiro passo para a instalação da 19.ª UPP do Rio. A favela é uma das maiores do Rio, e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança.

Durante a operação, foram ocupadas, além da favela da Rocinha, a do Vidigal e a Chácara do Céu. As comunidades da Rocinha e do Vidigal são as duas mais expressivas da zona sul, que ainda estavam sob domínio do tráfico. Já a Chácara do Céu já fora usada como rota de fuga de traficantes do Vidigal. Estratégica para o tráfico por sua localização numa área nobre da cidade, com faturamento alto e cercada de matas, a região teria se tornado esconderijo de bandidos foragidos do Complexo do Alemão.

A operação, batizada de Cho­que de Paz, contou com a participação de cerca de 3 mil homens das forças de segurança do estado do Rio, fuzileiros navais e da Polícia Federal. Houve o apoio de 18 veículos blindados da Marinha, sete caveirões da Polícia Militar (PM) e sete helicópteros. Também participaram 13 cães farejadores.

Operação

Ainda escuro, por volta das 4h10 da manhã, o silêncio do início de domingo foi quebrado pelo rumor das esteiras mecânicas dos carros de combate da Marinha. Cinco minutos depois, entraram em ação os primeiros três helicópteros. No Vidigal, os traficantes chegaram a espalhar barricadas, e na Rocinha, óleo na pista, para tentar evitar o avanço dos blindados. Pouco antes das 6 h, ainda, foram ouvidos fogos de artifício na Rocinha, possivelmente disparados pelos traficantes. Houve um princípio de incêndio aparentemente causado pela queima de algum material inflamável.

De acordo com o chefe do Esta­do Maior da PM do Rio, coronel Alberto Pinheiro Neto, a situação estava sob domínio da polícia às 6 h. O trânsito começou a ser liberado por volta das 7h30, quando os blindados já haviam des­­cido da favela. Por volta das 11h, os heli­­cóp­teros da polícia despejaram panfletos sobre a comunidade incentivando os moradores a de­nunciar. "Creio que é um dia histórico. Nós estamos recuperando esse território para os 100 mil moradores da Rocinha, graças à união das forças públicas", disse o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, em entrevista coletiva.

Antes do meio-dia, os moradores já ensaiavam retomar o ritmo normal da vida e o comércio local começou a abrir. Por volta das 12h50, centenas de pessoas acompanharam a solenidade em que foram hasteadas as bandeiras do Brasil e do estado do Rio de Janeiro, na localidade conhecida como "curva do S", um dos pontos mais movimentados do morro.

Os policiais que desde o meio da madrugada controlam as vias de acesso à favela, continuavam a revistar durante todo o dia quem entrava e saía do local. Eles também permaneciam fazendo incursões na mata, à procura de traficantes, drogas, armas e munições. "Agora se inicia um trabalho mais específico de rastreamento na Rocinha, no Vidigal e na Chácara do Céu. A área, sem dúvida, é muito grande. Trata-se de uma das maiores favelas da América Latina, e talvez do mundo", disse o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

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