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Culto

Santo Daime tem fiéis fora do país

No fim dos anos 20, o agricultor Raimundo Irineu Serra deixou o Maranhão para trabalhar nos seringais da Amazônia. Acabou extraindo da floresta mais do que o látex. Mestre Irineu, como ficou conhecido, é o fundador da doutrina do Santo Daime. Ele começou a tomar a ayahuasca, bebida de origem indígena, cujo nome significa "vinho dos mortos" ou "vinho do espíritos", em Brasiléia, Acre, no fim dos anos 20.

Após mudar-se para Rio Branco, já na década seguinte, fundou a doutrina do Santo Daime, batizando a bebida com este nome e criando um centro no local conhecido como Alto Santo. A fórmula continuava igual àquela já conhecida pelos incas e também utilizada ritualisticamente por índios amazônicos: uma mistura da folha Rainha com o cipó Jagube, cozidas em grandes panelas.

Mestre Irineu morreu em 1971. A partir do trabalho iniciado por ele, surgiram outras ramificações que hoje resultam em mais de 30 igrejas só em Rio Branco. Cerca de 5% da população de Rio Branco é ligada ao Daime de alguma forma. O consumo religioso da bebida é enraizado na cultural local. O culto cresceu e possui ramificações nos EUA, Europa e Argentina, além de uma grande sede em Mapiá, no Amazonas, que recebe daimistas de todo o mundo. Na periferia de Curitiba chegou a ser fundada uma igreja há alguns anos.

A linha dos rituais clássicos do Daime de Mestre Irineu constitui-se, basicamente, de um bailado, no qual homens e mulheres, vestidos com fardas branca e verde e separados em filas, entregam-se ao canto e à dança ritual. Nesse bailado, cantam-se os hinos, a bebida é "comungada" e incorporações de espíritos são realizadas.

Os devotos pregam que cabe a cada um descobrir seu caminho na doutrina. Todos os daimistas estudiosos reforçam que ninguém passa impune por esta experiência, desde que levada à serio. Mas caso a intenção seja apenas embarcar numa viagem alucinógena, a experimentação pode significar pouco mais do que formigamentos nas mãos, distúrbios visuais, mal-estares, flashbacks e entorpecimento.

Fabiano Camargo fez uma reportagem sobre o Daime para a Gazeta, dentro do projeto Expedição Coração do Brasil, em 2001. Na oportunidade, visitou um dos centros mais antigos do culto no Acre.

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