
A Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal de Curitiba reforçaram a segurança no entorno dos colégios Estadual do Paraná (CEP) e Tiradentes, ambos no Centro da capital paranaense. A medida será tomada pelo menos pelos próximos dez dias e é uma resposta a uma briga ocorrida na saída do turno da manhã, na última quarta-feira (17), próximo à estação-tubo Passeio Público, da linha de biarticulado Santa Cândida/Capão Raso. Os dois estabelecimentos ficam a cerca de 300 metros de distância e estão separados apenas pela parte norte do Passeio Público.
O capitão da Polícia Militar, Ricardo Costa, disse que o reforço será mantido nos próximos dias, com uma viatura na esquina de cada escola. "Também tivemos uma conversa com orientações sobre segurança e vamos ter outra reunião com os pais", disse.
Costa confirma que a briga começou após o roubo de um boné. Segundo ele, um aluno do Colégio Tiradentes teria pego o boné de um estudante do CEP. "Depois disso, um grupo dessa outra escola (CEP) se reuniu para recuperar o boné e houve a briga", disse. Dois alunos ficaram feridos. Sobre a denúncia de que o pai de um dos meninos tinha envolvimento com o tráfico, o capitão disse que a polícia ainda vai investigar.
Costa afirma que foram quatro alunos do Estadual para recuperar o item roubado, mas, segundo uma aluna do 6º ano, foram pelo menos 50. Um trabalhador da redondeza também afirmou que a briga envolveu mais gente. "Na briga mesmo eram uns 50 alunos contra dois, mas muito mais alunos se agruparam para ver", disse. Os dois preferiram não se identificar.
De acordo com o coordenador da guarda, inspetor Cláudio Frederico de Carvalho, agentes também se ofereceram para ir aos colégios na próxima semana para fazer um trabalho de orientação. "Queremos fazer uma ação preventiva, ir às duas escolas e falar com os alunos. Pretendemos tratar assuntos como a convivência em sociedade, direitos e deveres e também relatar os procedimentos que são tomados quando uma briga ou provocação passa a ser crime", disse.
Ainda segundo ele, os guardas continuam monitorando as redes sociais e fazendo trabalho de vigilância em praças e terminais de ônibus com o objetivo de evitar as agressões. Ameaças continuam sendo detectadas, segundo o órgão de segurança municipal.
Horários
Pela manhã, a Guarda Municipal disse à Gazeta do Povo que havia entrado em acordo com as diretorias dos colégios para que os alunos de um dos estabelecimentos fossem retidos em sala de aula por um período de dez a 15 minutos para evitar que os grupos se encontrassem na saída. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação (Seed) negou que esta medida foi tomada, afirmando que os horários de saída já eram diferenciados. O CEP tem um turno diferenciado, com sexta aula, contra cinco do Tiradentes. A informação da retenção foi posteriormente desmentida pelo coordenador da guarda, inspetor Cláudio Frederico de Carvalho, o mesmo que pela manhã havia dado entrevista ao jornal.
CEP
O Colégio Estadual do Paraná publicou em sua página oficial algumas orientações aos alunos da instituição. A nota informa que uma conversa foi realizada com os estudantes durante a manhã de quinta-feira (18) para relatar que a resolução de conflitos deve ser feita sempre de maneira pacífica.
A instituição reforça que o uso de uniforme pelos estudantes é obrigatório e que, se alguém quiser evitar a identificação do colégio, a alternativa é levar outra roupa na mochila. O CEP divulgou ainda que as aulas ocorrerão normalmente e orientou os pais a falarem com seus filhos sobre medidas de segurança.
Tiradentes
Na quinta e sexta-feira, a saída dos alunos do Colégio Tiradentes ocorreu pela porta dos fundos. O diretor da instituição não quis comentar o motivo e se negou a dar entrevista.
Secretaria de Educação
A Secretaria Estadual de Educação (Seed) informou, via assessoria de imprensa, que possui uma parceria com a Polícia Militar chamada Patrulha Escolar, destinada a atuar na segurança dos alunos dos colégios. No caso específico das escolas do Centro de Curitiba, segundo a Seed, a patrulha escolar teve uma atuação direta e solicitou o apoio da Guarda Municipal para atender a ocorrência. O órgão relatou que todos os diretores das escolas estaduais têm autonomia de organizar o horário da escola de forma a garantir a segurança de seus alunos.
Já sobre ações que visam evitar esse tipo de problemas nas escolas do estado, o órgão relatou que a prevenção ocorre cotidianamente no nível dos núcleos regionais de educação. Segundo a entidade, há profissionais preparados, nesses locais, para uma orientação pedagógica adequada sobre como os professores e demais profissionais da educação podem lidar com esse tipo de situação.



