
O rapto de dois recém-nascidos em hospitais do Paraná em menos de uma semana acende o sinal de alerta. O protocolo de segurança seguido hoje pelos estabelecimentos inclui apenas a impressão palmar (dos pés) para a identificação do bebê, a colocação de uma pulseira com dados pessoais na criança e a permanência do bebê ao lado do leito da mãe após a saída do centro cirúrgico. Os hospitais maiores contam ainda com sistema interno de vigilância. As medidas, no entanto, não evitam os sequestros.
Anteontem em Apucarana uma falsa enfermeira raptou um recém-nascido que estava ao lado da mãe, enquanto no último dia 6, o pai de um bebê fugiu com a criança no colo sem ser contido no hospital de Londrina. Para evitar esse tipo de situação, o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Paraná (Fehospar), Renato Merolli, orienta que as maternidades controlem melhor seus acessos, mantendo apenas uma porta de entrada e saída de pessoas.
A vigilância eletrônica é outra importante alternativa, porém, como lembra Merolli, os estabelecimentos de saúde convivem com "a angústia de controlar custos". Na visão do presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná, Maurício Smaniotto, as recepções dos estabelecimentos de saúde deveriam ser terceirizadas. "O hospital é como uma empresa e depende da orientação que a gestão tem sobre a segurança patrimonial", completa.
Uma novidade que está em discussão no país é a colocação de pulseiras eletrônicas dos recém-nascidos. A pulseira emitiria um sinal sonoro ao passar pelas portas dos hospitais, que teriam identificadores semelhantes aos usados no comércio. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou anteontem, em segunda discussão, o projeto de lei sobre a implantação das pulseiras. A proposta segue agora para a prefeitura paulistana, mas o autor, o vereador Carlos Apolinário (DEM), aposta que a lei será sancionada apesar da reclamação do setor em relação aos custos. "Os hospitais não têm que pensar nos gastos, têm que pensar nas vidas", completa.
Projeto semelhante foi protocolado ontem na Câmara Municipal de Curitiba pelo vereador Tico Kuzma (PSB). "Acho importante trazer essa discussão para a sociedade porque as pulseiras evitariam raptos e até troca de bebês", comenta. Nascem por ano em Curitiba perto de 24 mil bebês, sendo 18 mil na rede pública, segundo dados da prefeitura.
No Hospital Evangélico, onde um bebê foi sequestrado em 2005, foi implantado sistema de segurança e controle de acesso na portaria, embora o estabelecimento tenha mais de uma entrada. Na opinião do supervisor de serviços gerais da unidade, Alexandro Peres Santos, se a lei da pulseira eletrônica for aprovada, é preciso haver uma contrapartida do poder público. Segundo o vereador Kuzma, há possibilidade de a Câmara aprovar uma emenda autorizando a prefeitura a comprar os dispositivos.
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