Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Educação

Sem lei específica, escolas bilíngues exigem pesquisa

Pais devem ficar atentos se professores são formados em Pedagogia e se dominam bem a segunda língua

Na escola bilíngue Maple Bear, de Curitiba, os alunos aprendem inglês desde o maternal | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Na escola bilíngue Maple Bear, de Curitiba, os alunos aprendem inglês desde o maternal (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

O contato das crianças brasileiras com a língua inglesa tem se iniciado cada vez mais cedo. Em Curitiba, o número de escolas com o ensino bilíngue começou a crescer a partir de 2012, quando instituições tradicionais de ensino começaram a prestar esse serviço já na educação infantil. Mas o aumento da oferta, ainda que beneficie o público, também traz à tona alguns cuidados que os pais precisam ter, especialmente em relação à formação do docente de língua estrangeira.

O perfil do profissional desejado, mas nem sempre encontrado, é o da pessoa formada em Pedagogia, com fluência em outro idioma e experiência com crianças pequenas, já que a maioria das instituições oferta o serviço para crianças a partir dos 2 e 3 anos de idade.

Em Curitiba, as escolas relatam que a seleção dos profissionais é bastante criteriosa e envolve muito treinamento. Mas a dificuldade em encontrar mão de obra especializada é grande, mesmo em uma metrópole como São Paulo. Diretores de escolas da capital paulista relatam dificuldades para encontrar profissionais habilitados, do berçário à educação infantil.

"É difícil, pois não é qualquer inglês que segura um período inteiro com as crianças", afirma Teca Antunes, coordenadora pedagógica da escola Aubrick. "Muitos são ótimos educadores, mas não falam inglês. E tem também a parcela que fala inglês muito bem, mas não tem jeito com crianças pequenas", acrescenta. "Recebemos muitos currículos, mas pouquíssimos restam na etapa final", afirma Patrícia Loazno, diretora pedagógica da Up School.

É por essa dificuldade que Terezinha de Jesus Machado Maher, coordenadora de graduação do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), faz um alerta. "Muitas escolas vendem gato por lebre. Em algumas, os professores nem sequer têm proficiência em inglês. Quando os pais não sabem a língua, ficam sem condições de avaliar o que o filho está recebendo."

A formação do profissional que atua com língua estrangeira na educação infantil é tema de estudo do doutorado de Raquel Cristina Mendes de Carvalho, professora do Departamento de Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava. "O Brasil não tem legislação alguma a respeito disso, o que pode ocasionar problemas", explica. Segundo ela, os cursos de Pedagogia não ofertam disciplinas sobre o ensino de um segundo idioma, e os cursos de Letras, por sua vez, não contemplam o atendimento a crianças pequenas.

Por isso o profissional requisitado costuma ser formado em Pedagogia, com fluência em língua estrangeira, e de preferência com especialização. "Mas em escolas menores ou no interior do Paraná, não se contrata um profissional desses, que é caro. Então, muitas vezes, são pessoas que sabem inglês, mas não entendem nada de didática de língua estrangeira", alerta Raquel.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.