
Por falta de verbas, desde o começo do mês, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está sem um reagente indispensável para a realização de 22 exames hormonais, que estão provisoriamente suspensos. Com isso, todos os dias, cerca de 150 pessoas deixaram de ser atendidas cada paciente faria, em média, três exames, totalizando 450.
Segundo a coordenadora dos serviços de apoio e diagnóstico terapêuticos, Gisele Pesquero Fernandes, no início do mês ainda foi possível atender alguns pacientes, já que o material coletado foi congelado. "Mas agora o freezer está lotado e não temos mais capacidade de armazenamento. Quando o fornecedor nos entregar o reagente, vamos começar os exames com o que já foi coletado e, só depois, atender aos outros pacientes", explica.
Por causa da falta de exames, alguns médicos deixaram de solicitá-los durante as consultas. Nos casos de emergência, os pacientes são encaminhados para um posto de saúde habilitado a fazer o procedimento. Testes que medem os hormônios da tireóide, marcador tumoral, menopausa, reprodução humana (fertilidade), controle de puberdade, alergias e avaliações da função renal do diabético são alguns dos exames suspensos.
Problema crônico
Segundo o diretor-geral do hospital, Giovani Loddo, não é de hoje que o HC tem dificuldades financeiras. "Isso nunca foi negado pela administração. Trabalhamos com mais de 2 mil fornecedores e temos mais de 16 mil itens cadastrados para comprar. Pontualmente estamos com este problema, mas não posso garantir que amanhã isso não poderá ser encontrado em outros setores do hospital."
Em novembro do ano passado, Loddo se reuniu com o senador Flávio Arns (PT) e com representantes do Ministério da Saúde para detalhar as deficiências de recursos do hospital. Na época, para suprimir o déficit seria necessário aumentar em R$ 800 mil por mês o valor recebido do governo federal. "Há 15 dias estive em Brasília novamente para voltar a insistir sobre essas necessidades. O governo estuda o aumento da verba há pelo menos três anos para todos os hospitais universitários."
Como o HC só atende pelo Sistema Único de Saúde e, por isso, não tem lucros, a administração do hospital tenta usar a tolerância para controlar a situação. "Ora pode faltar um insumo, ora o número de medicamentos pode ser reduzido. Mas é importante lembrar que isso não tem nada a ver com a greve", alerta. Não há data específica para que os exames de hormônios estejam novamente disponíveis à comunidade. "Tudo vai depender da negociação com o fornecedor", finaliza.



