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Infraestrutura

Sem vila, BR-153 será concluída

Famílias serão removidas para novo loteamento para conclusão do traçado da Transbrasiliana

As obras das novas casas do loteamento que vai receber as famílias da Vila Monte Cristo, em Ventania, devem ser concluídas em julho | Henry Miléo/Gazeta do Povo
As obras das novas casas do loteamento que vai receber as famílias da Vila Monte Cristo, em Ventania, devem ser concluídas em julho (Foto: Henry Miléo/Gazeta do Povo)

Ponta Grossa - A derrubada de 59 casas construídas ao longo dos últimos 18 anos no traçado da BR-153, a Transbrasiliana, no município de Ventania, nos Campos Gerais, vai permitir a conclusão da pavimentação da estrada. As famílias serão transferidas para um novo loteamento, que leva o nome da rodovia, após o mês de julho, prazo previsto para entrega da obra. O trecho de 500 metros, hoje ocupado pelo povoado, será aterrado e pavimentado para pôr fim a uma novela que dura 43 anos e que já custou R$ 100 milhões em recursos públicos. Mais R$ 8,6 milhões serão aplicados na conclusão da estrada.

A rodovia tem 4,3 mil quilômetros que ligam o Pará ao Rio Grande do Sul e o único trecho inacabado é no Paraná. O asfaltamento de 20 quilômetros, entre o distrito de Alto do Amparo, em Tibagi, e Ventania, terminou há dois anos. Mas a Vila Monte Cristo, que se formou em meio à pista devido à demora da obra, impediu a ligação da rodovia com o trecho asfaltado, entre Ventania e Ibaiti. A prefeitura de Ventania doou o terreno e recebeu a garantia do repasse de

R$ 2,6 milhões do Ministério do Planejamento para a construção do loteamento necessário para a realocação das famílias. No entanto, não houve empresas interessadas na licitação. O Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), então, firmou parceria com o Exército.

Em novembro do ano passado, o Departamento de En­­­genharia e Construção do Exército assumiu a construção do loteamento e licitou a obra, pois não teria trabalhadores suficientes para o projeto. A empreiteira Chamas, de Ribeirão Claro (PR), ganhou a concorrência e iniciou a construção. A obra deveria ser entregue em abril mas, segundo o arquiteto e urbanista da empresa Vandecrei Lopes, as chuvas de início de ano atrasaram o cronograma. Outro empecilho foi a falta de mão de obra. Dos 170 funcionários necessários para a construção, apenas 90 estão no canteiro de obras. "É muito difícil encontrar trabalhadores", resume Lopes. A empreiteira recruta operários nas cidades da região, como Piraí do Sul e Tomazina. "Para mim foi bom, foi uma chance de emprego", diz o pedreiro Deverson da Costa, de Piraí do Sul.

Loteamento

As casas de alvenaria terão 40,10 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e uma varanda. O terreno é plano e o loteamento será entregue asfaltado, com água e luz. As famílias não terão de pagar nada. Os moradores começaram a ocupar a Vila Monte Cristo há 18 anos, quando o município foi fundado, e têm apenas os contratos de compra e venda dos imóveis, que não são registrados em cartório. Rosi dos Reis, mãe de três filhos, não tem nenhum documento da casinha simples em que mora na vila Monte Cristo, mas vai se mudar no segundo semestre. "Acho que será melhor, aqui tem mato chegando na porta de casa", comenta a dona de casa.

Mudanças

Além dos R$ 2,6 milhões investidos pelo governo federal para a remoção das famílias, outros

R$ 6 milhões virão da União para a conclusão da pista. Con­­­forme o engenheiro do Exército coronel Dermeval Luiz Gans, o projeto original é defasado em relação aos dias atuais. "Ventania ainda nem existia. Vamos ter de fazer alguns aditivos para construir uma trincheira, para não dividir a cidade ao meio com a conclusão da rodovia", afirma. A construção da pista em nível elevado vai evitar o uso urbano da Transbrasiliana e reduzir o risco de acidentes e atropelamentos.

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