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Justiça

Sentença para Suzane e Cravinhos sai hoje

São Paulo – Depois de confessar terem participado da morte de Manfred e Marísia von Richthofen e enfrentar cinco dias de julgamento, Suzane von Richthofen e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos terão hoje o destino selado pelos quatro homens e três mulheres que compõem o conselho de sentença. Assim que bater o martelo, depois de exaustivas sessões diárias de até 15 horas desde segunda-feira, o juiz Alberto Anderson Filho, presidente do Tribunal de Júri, deve mandar de volta à cadeia os três jovens que chocaram o país pela crueldade com que planejaram e executaram a morte do casal.

Com remotas chances de absolvição, os três deverão ser condenados de 24 a 60 anos de prisão pelo duplo assassinato, mas poderão ficar na cadeia por apenas mais quatro meses, caso o juiz decida pela pena mínima. É que nesse caso, os três, depois de cumprirem um sexto da pena – quatro anos –, podem pedir progressão do regime. Como já estiveram presos por três anos e oito meses, Suzane, Daniel e Cristian podem deixar a prisão em 120 dias.

A tendência, no entanto, é de que os três sejam condenados a 50 anos de prisão, como a Promotoria Criminal pretende pedir. Mesmo nesse caso, os três ficariam na prisão por somente mais quatro anos, considerando a redução de um sexto da pena, como prevê a lei.

Novo júri

Suzane e os irmãos Cravinhos respondem por duplo assassinado com motivo torpe (mataram por dinheiro), sem dar possibilidade de defesa às vítimas (que estavam dormindo) e com meio cruel (pauladas, estrangulamento e asfixia). No plenário, a preocupação era sobre quantos anos de prisão o juiz poderia decretar. Caso a pena seja igual ou superior a 20 anos, segundo o Código de Processo Penal, obrigatoriamente um novo julgamento é marcado. Os promotores do caso procuram não demonstrar preocupação com esse detalhe. "Não estou trabalhando pela lei do mínimo esforço. Não vou pedir uma pena de 19 anos, 11 meses e 29 dias só para evitar um novo julgamento. Vou pedir uma pena que acredito que eles merecem", disse o promotor Roberto Tardelli.

Assim que terminar a sessão, Suzane, se condenada, deve ser levada de volta para o Centro de Ressocialização de Rio Claro, onde ficou presa a maior parte do tempo. Lá, segundo agentes penitenciários, foi ameaçada de morte duas vezes durante rebeliões. Já os irmãos Cravinhos poderão ficar no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na capital paulistana.

Para tomar a decisão sobre a absolvição ou condenação dos três, os sete jurados terão de responder com sim ou não um questionário com cerca de cem quesitos, entre eles: quem matou?; Suzane controlava Daniel?; Suzane tinha interesse na morte dos pais?; Daniel era sustentado por Suzane?, entre outros.

Com essas respostas em mãos, o juiz determina a pena dos acusados. Antes disso, a sessão ficará por conta do debate entre acusação e defesa, que vai durar oito horas (veja ao lado). Depois, os jurados se reúnem para o veredicto. A leitura da sentença terá duas horas.

Antes de ir para a sala do 1.º Tribunal do Júri hoje, o juiz Alberto Anderson Filho, de 52 anos, pretende acordar bem cedo, por volta das 7 horas, e ir à missa na Igreja de São Bento ou de São Luiz, no centro de São Paulo. Como mora em Campinas, o juiz está morando temporariamente num hotel em São Paulo.

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