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Luto

Sergio Viotti deve ser cremado hoje em SP

Ator e diretor morreu aos 82 anos, vítima de parada cardiorrespiratória. Seu último trabalho foi uma participação na novela Duas Caras

Viotti sempre teve preferência por papéis que o desafiassem | Willian Andrade/TV Globo
Viotti sempre teve preferência por papéis que o desafiassem (Foto: Willian Andrade/TV Globo)

São Paulo - O ator Sergio Viotti morreu ontem, aos 82 anos, de parada cardiorrespiratória, segundo informações do Hospital Samaritano, em São Paulo, onde ele estava internado desde 19 de abril. O corpo deverá ser cremado hoje, às 9 horas, no Cemitério de Vila Alpina.

Sergio Viotti, nascido sem São Paulo em 1927, sempre sentiu grande atração por papéis que não lhe dessem apenas prazer, mas o desafiassem. Só assim, acreditava, tais personagens, cheios de contradição e conflitos, a exemplo dos seres humanos de carne e osso, poderiam lhe ensinar alguma coisa. E, com toda a sua modéstia característica, ainda era capaz de suspirar: "Espero ter aprendido."

Viotti ganhou reconhecimento por sua extensa trajetória na televisão. "Sempre acho que fiz pouco teatro. Primeiro porque as peças ficavam muito tempo em cartaz e, segundo, porque estive durante muitos anos mais ligado à televisão", explicou ele no livro O Cavalheiro das Artes, escrito por Nilu Lebert, da Coleção Aplauso (2004, Imprensa Oficial).

Seu último papel na tevê foi Manuel de Andrade Couto na novela Duas Caras, que terminou em maio do ano passado. Antes disso, participou da minissérie JK, de 2006, de Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, uma de suas grandes amigas. A dupla se conheceu em 1981 numa festa a fantasia. Maria Adelaide, porém, já se sentia familiar de Viotti muito antes de conhecê-lo pessoalmente: "A voz de Deus", como o apelidou o diretor André Bukowinski, foi diariamente ouvida por ela no radinho de pilha de casa. Entre os anos de 1958 e 1977, Viotti foi o responsável não só pela direção artística da Rádio Eldorado, como pela apresentação de programas voltados à cultura. Trouxe consigo a bagagem acumulada em oito anos de serviços prestados à América Latina pela BBC londrina. Na capital inglesa, gravou radionovelas, dirigiu espetáculos, escreveu críticas de dança e ópera, conviveu com escritores promissores.

O seu retorno ao Brasil ocorreu quando Viotti se deu conta de que já havia absorvido tudo o que a Inglaterra poderia ter-lhe oferecido. Quando pisou em solo brasileiro, sentiu-se um "pato n’água". "Os amigos que eu deixara aqui já estavam ocupando lugar de destaque no cenário artístico." Graças justamente a esses bons e velhos amigos bem colocados no mercado, Viotti recebeu inúmeros convites. Logo, Viotti acumulava as funções de crítico, ensaísta, diretor e eventualmente ator, profissão que mais tarde transformou-se no seu mais saboroso ganha-pão. Sempre valorizou os prêmios, como o Molière em 1967, por Queridinho, e o Shell em 1992, por A Volta ao Lar, por acreditar que eles trazem segurança sem deixar de "alterar a nossa essência".

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