Sete homens dividem um cubículo de dois metros quadrados dentro da Delegacia de Vigilâncias e Capturas (DVC), em Curitiba, desde a última quinta-feira. Sentados no chão, com as pernas para fora da "cela", ou espremidos em um canto, o grupo se acomoda no espaço que foi projetado para abrigar apenas uma pessoa, por no máximo três horas.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, constatou que não há cama ou banheiro. Os sete homens presos não tomam banho há quatro dias e têm usado um galão de plástico para urinar. Para dormir, revezamento e papelão. "Até meu cachorro lá em casa tem uma coberta", disse um dos presos.
O trabalho da DVC é investigar o desaparecimento de pessoas, função que, segundo o delegado Roberto Fernandes, fica comprometida porque os investigadores precisam cuidar dos presos. "É uma condição absurda. Vai contra todos os direitos humanos", disse a vice-presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, Isabel Kügler Mendes.
A DVC ainda recebe pessoas que foram presas pelas Polícias Militar, Rodoviária e Federal e Guarda Municipal.
A transferência dos homens presos no cubículo está programada para a manhã de hoje.



