
Faltava pouco para as 15 horas quando Shakira e a colega Coca desembarcaram ontem no bloco interestadual da Rodoferroviária de Curitiba. Todos os olhares pertenciam a elas, estivessem os curiosos nos ônibus, na plataforma de embarque ou no saguão de espera. As atenções se revezavam ora para a loira, ora para a morena, ambas cercadas de mimos por policiais militares e guardas municipais. O show não tardou a começar. Arfa daqui, cheira dali, sobe no bagageiro, fuça nas malas, Coca e Shakira não estavam a passeio, e cumpriram bem o papel de estrelas.
Boas de faro, elas são duas labradoras usadas pela Secretaria Municipal Antidrogas em campanhas de conscientização nas escolas e nas buscas por entorpecentes em festas rave e atividades noturnas de lazer. Ontem foi a primeira incursão delas na rodoviária, numa atividade que poderá se repetir de duas a três vezes por semana no período de férias escolares. O dia e o horário aparentemente fora de propósito foram intencionais, num primeiro teste para sentir a reação dos cães ao novo ambiente de trabalho, explica o diretor do Departamento de Inteligência da Secretaria, Hamilton Klein.
Apesar de terem cheirado muitas bagagens, Coca e Shakira não encontraram nada além de cebola e cânfora. A rodoviária, no entanto, é uma das portas de entrada de drogas em Curitiba, vindas principalmente do Paraguai por intermédio de Foz do Iguaçu e Guaíra. Parte do que escapa ao pente-fino da polícia rodoviária ao longo da BR-277 acaba desembarcando ali. A blitz com os cães faz parte de um trabalho de prevenção. "Mostrar presença para inibir", resume Klein. As novas operações serão feitas em dias e horários alternados, pelo menos até o reinício das aulas, quando Coca e Shakira voltarão às suas atividades de orientação nas escolas.
Além de Coca, de cor caramelo, e Shakira, de pelagem preta, outros 2 animais já treinados e 6 em treinamento, todos das raças labrador e golden retriever, integram o Projeto Cão Amigo, um dos seis programas municipais de combate às drogas. Os cachorros acabaram com dificuldades antes tão comuns nas escolas, já que a vistoria feita por um policial inibia os alunos. Os cães são amigáveis e foram treinados para fazer o trabalho como se fosse uma brincadeira. Ao farejar entorpecente em alguém ou algum lugar, adota um comportamento que só o adestrador que o acompanha sabe interpretar como um aviso.



