Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Caso Virgínia

Sindicância do CRM aponta indícios de antecipação de mortes no Evangélico

Investigação do Conselho Regional de Medicina conclui que a ex-chefe da UTI do hospital pode ter abreviado a vida de pacientes

Segundo o CRM, Virgínia Souza pode ter praticado atos médicos proibidos pela lei | Antonio More/ Gazeta do Povo
Segundo o CRM, Virgínia Souza pode ter praticado atos médicos proibidos pela lei (Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo)

A sindicância do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná concluiu que há indícios de que a médica Virgínia Soares de Souza antecipou mortes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico. De acordo com o documento, assinado pelo conselheiro Miguel Ibraim Aboud Hanna Sobrinho e obtido com exclusividade pela Gazeta do Povo, a médica pode ter "praticado ou indicado atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no país" (veja infográfico). O relatório, datado de 23 de setembro deste ano, foi anexado ao processo contra Virgínia, na 2.ª Vara do Tribunal do Júri, nesta semana.

A investigação do CRM pede abertura de processo ético contra a ex-chefe da UTI do Evangélico, além dos médicos Edison Anselmo da Silva Júnior e Anderson de Freitas, também arrolados na ação penal por homicídio duplamente qualificado. "Analisando o prontuário dos pacientes não foi possível encontrar, apesar da explicação do profissional, respaldo técnico e científico [para os procedimentos médicos adotados] (...)", afirma o conselheiro no documento, no caso de Anselmo. Segundo Hanna Sobrinho, ele e Freitas podem ter cometido as mesmas infrações que Virgínia.

INFOGRÁFICO: Veja documento do CRM

Ainda sobre ela, o CRM explica que há indícios de que documentos médicos podem ter sido expedidos sem motivo. Segundo fontes do Ministério Público (MP), existe a suspeita de que prontuários foram modificados no decorrer dos internamentos.

A médica Maria Israela Cortez Boccato não foi incluída no processo ético em razão de, segundo o CRM, não ter indícios de infrações cometidas por ela. Outra médica, investigada no inquérito policial, mas sequer denunciada pelo MP, também não será inquirida em processo.

A sindicância é uma etapa inicial para investigação de médicos nos conselhos regionais que dura 60 dias, prorrogáveis por mais dois meses. O caso já virou processo ético, de acordo com a própria defesa da médica Virgínia. O CRM foi procurado, pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição. Médicos citados em um processo ético têm 30 dias para apresentar defesa prévia.

O caso

Em fevereiro deste ano, Virgínia foi presa pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra Saúde (Nucrisa), da Polícia Civil. A polícia e o MP atribuem a ela e a mais cinco profissionais que trabalharam no Evangélico, dentre eles os três médicos investigados pelo CRM, sete mortes ocorridas entre 2006 e janeiro deste ano. Um dos objetivos, de acordo com o Ministério Público, na época, era "girar a UTI". O MP relatou que os profissionais agiam como se tivessem o poder de decretar a morte das vítimas, além de escolherem quais pacientes teriam o direito de permanecer vivos no centro médico.

Médica assinava a maioria dos procedimentos adotados na UTI

A investigação do Conselho Regional de Medicina (CRM) revela que a médica Virgínia Souza confirmou que a maior parte das prescrições e das anotações sobre a evolução do quadro clínico estava no nome dela, mesmo que não fosse a plantonista daquele período. "[Ela] reconheceu que em alguns dos pacientes citados nesta sindicância a evolução descrita no prontuário não fora realizada adequadamente, uma vez que nem todos foram submetidos a manobras de ressuscitação cardiopulmonar."

O documento afirma ainda que Virgínia disse em depoimento na sindicância que reduzia os parâmetros de ventilação por "intratabilidade" e utilizava medicamentos aplicados por via venosa "como medida de conforto". Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), os médicos prescreviam "medicamentos bloqueadores neuromusculares normalmente empregados em medicina intensiva para otimização de ventilação artificial".

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.