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Ex-presidente do Ipea

Sociólogo é alvo de notícia-crime por acusar “lobby judeu” de ser o financiador de Epstein

Sociólogo é alvo de notícia-crime por acusar "lobby judeu" de ser o financiador de Epstein
Sociólogo Jessé Souza é alvo de notícia-crime após afirmar que Jeffrey Epstein "é o produto mais perfeito do sionismo judaico". (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

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O deputado estadual Guto Zacarias (União-SP) e o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), Renato Battista, protocolaram uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal (MPF) contra o sociólogo Jessé Souza por relacionar judeus ao escândalo de tráfico de mulheres para prostituição envolvendo o americano Jeffrey Epstein, morto em 2019.

A representação acusa o acadêmico de cometer suposto crime de racismo, após a publicação de um vídeo nas redes sociais no qual Souza analisa o caso Epstein. "Epstein não é um caso isolado de perversidade, maldade humana. Epstein é o produto mais perfeito do sionismo judaico", diz o sociólogo em um trecho da gravação.

Horas após a publicação, o sociólogo apagou o vídeo nas redes sociais e publicou outro para se desculpar pelo que classificou como um “escorregão” ao não separar devidamente o lobby sionista e o judaico. Ele afirmou, contudo, que mantinha todas as demais declarações.

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No segundo vídeo, que também não está mais disponível, ele disse ter “vários amigos judeus não sionistas e críticos de Israel”. Segundo o deputado e o coordenador do MBL, o sociólogo teria apresentado uma "versão delirante" ao afirmar que o escândalo foi promovido pelo Estado de Israel com o intuito de chantagear políticos e empresários influentes.

Os autores da notícia-crime argumentam que, como o Supremo Tribunal Federal (STF) equipara a condição de judeu a uma condição racial para fins penais, as falas de Jessé Souza enquadram-se no artigo 20 da Lei 7.716, que define os crimes de racismo.

O artigo 20, da Lei 7.716/89, prevê pena de reclusão de um a três anos e multa para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

“Tudo não passaria de uma análise completamente desprovida de qualquer contato com a realidade, mas Souza continuou, dizendo que Epstein é reflexo do supremacismo judaico, que o holocausto judeu foi ‘cafetinado’ pela mídia, com o apoio do ‘lobby judaico’, para perseguir inimigos de Israel. Souza foi explicitamente antissemita”, afirmam os autores da ação.

Diante dos fatos, Zacarias e Battista pedem o ajuizamento de uma ação penal contra o sociólogo ou, caso o Ministério Público entenda serem necessários mais elementos, a instauração de um inquérito policial para apurar a conduta de Jessé Souza.

“Epstein é o melhor reflexo do supremacismo racial judaico e sionista”, disse Jessé Souza

A denúncia enfatiza que Souza vincula diretamente os crimes sexuais de Epstein a uma estratégia geopolítica de Israel. “A rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação aos políticos e bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina”, disse o sociólogo.

"O holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo com ajuda de Hollywood de toda a mídia mundial, dominada pelo lobby judaico, para acusar de antissemitismo qualquer crítica a Israel", acrescentou.

Para ele, "foi essa fraude que permitiu o holocausto do povo palestino". O documento menciona ainda que Souza sugere uma conivência institucional de Israel com os crimes de Epstein.

“Como agente 007, Israel tem autorização para matar impunente, já que ninguém quer carregar a pecha de antissemitismo. Assim como Israel, Epstein matava e violava meninas e meninos americanos e de outros lugares por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo. Epstein é o melhor reflexo do supremacismo racial judaico e sionista”, afirmou.

Após repercussão negativa, Jessé Souza disse repudiar discriminação

Na segunda-feira (9), o sociólogo afirmou que retirou o vídeo do ar após perceber o erro. "Eu não separei devidamente lobby sionista e judaico. Percebi o erro e tirei… Lamento ter cometido o erro já que tenho vários amigos judeus não sionistas e críticos de Israel”, disse Souza, em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo.

À CNN Brasil, ele disse repudiar “toda ação de discriminação". Jessé Souza foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o governo de Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016. Ele é doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e autor de diversos livros, como "A Elite do Atraso" (2017), "A Classe Média no Espelho" (2018) e "O Pobre de Direita" (2024).

Conib diz que sociólogo usa sua projeção para disseminar “ódio contra judeus”

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) classificou como “lamentável” que Jessé de Souza “use a sua projeção na vida acadêmica e nas redes sociais como plataforma para disseminação de conceitos carregados de ódio contra judeus”.

“Flagrado, retirou o conteúdo do ar e o substituiu por um novo ataque aos judeus, agora demonizando ‘apenas’ os sionistas (termo que se refere à defesa da autodeterminação do povo judaico e o direito a um Estado)”, disse a entidade, em nota publicada na segunda (9).

Para a Conib, a “série de vídeos de Jessé de Souza é mais uma evidência de como o antissemitismo, sempre mutante ao longo de séculos, encontrou no antissionismo sua melhor versão contemporânea”.

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