
Quando chega o verão e milhares de pessoas viajam para as praias, alguns dos primeiros itens colocados na mala são o protetor solar e os óculos de sol. Tudo dentro das orientações médicas para se proteger ao máximo e aproveitar com saúde as férias de fim de ano. No entanto, pouca gente se lembra de adotar medidas de proteção quando continua nas cidades. Segundo os médicos, é aí que está o perigo: ter a falsa idéia de segurança ao passar o verão longe da praia.
A dermatologista Fabiane Brenner afirma que a maior incidência de câncer de pele está entre os pacientes que não tomam sol regularmente. Segundo ela, mesmo uma exposição por um curto período de tempo pode provocar queimaduras nas pessoas que não estão preparadas para receber luz solar. Risco que se torna ainda maior entre a população de pele mais clara. "Sempre é preciso tomar cuidado com o sol, mesmo nas pequenas exposições", orienta. "Use um boné, procure alguma marquise para se proteger ou ande pelo lado da rua que tem sombra", aconselha.
Fator 30
A orientação dos médicos é que o filtro solar de preferência fator 30 seja usado de maneira contínua, ao menos duas vezes por dia. As pessoas também devem evitar se expor ao sol do meio-dia, que, geralmente, coincide com o horário de folga do almoço. As roupas precisam ser mais leves e folgadas, para não comprometer a transpiração. Conforme explica Fabiane, o uso de muitas peças de roupa nessa época pode causar o surgimento das chamadas brotoejas nas axilas e nas virilhas e causar micoses nos pés. "Os melhores tecidos são os de algodão e os com pouco elástico. Evite os materiais sintéticos, como lycra e nylon, porque impedem a ventilação adequada."
Para o advogado Emanuel Davi, porém, é impossível seguir essa orientação. Todos os dias, ele segue para o trabalho vestindo terno e gravata, independente da temperatura e do clima em Curitiba. "Fico morrendo de calor com essa roupa, mas não tem jeito", conta. "No máximo, uso uma camisa de manga curta por baixo do terno ou tiro a gravata quando não estou com o juiz." Já em relação ao filtro solar, Emanuel não encontrou uma boa desculpa para justificar o fato de andar sem proteção. "Minha namorada até me deu um protetor, mas eu nunca uso. Não tenho tempo", diz.
Já a médica Maria das Graças Sasaki, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se mostra uma exceção à regra. Ela não sai de casa sem antes se preparar com todos os recursos para enfrentar o sol curitibano. Até para ir ao mercado, a poucas quadras de casa, não abre mão de usar o chapéu e os óculos de sol. Durante as aulas e consultas médicas, ela costuma pedir um momento aos alunos e pacientes para beber um pouco de água. "Sempre carrego uma garrafinha comigo. No meu carro, tenho duas ou três", afirma.
Na última terça-feira, Maria das Graças aproveitou o tempo bom para levar uma sobrinha de São Paulo ao Parque Barigüi. Sob um calor de quase 30ºC, as duas estavam devidamente equipadas para se proteger do sol. "A gente anda um pouquinho e, depois, se esconde do sol pra tomar um suco ou uma água. O importante é se expor aos poucos e sempre andar protegido", aconselha.



