O histórico de desmatamento fez com o que o Paraná perdesse 99,6% de sua cobertura de florestas de araucária. Agora, os 0,4% restantes são alvo de extrações descontroladas de pinhão. Para o diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, Clovis Ricardo Schrappe Borges, deve haver políticas públicas para proteger o setor.
Ele sugere que as araucárias que pertencem a unidades de conservação sejam intocáveis. A colheita de pinhão, mesmo que pequena, deve ficar restrita a áreas isoladas de plantio do pinheiro. Ele reconhece que o preço do litro do pinhão pode subir para até R$ 20, por causa da escassez do produto, mas a principal recompensa seria a preservação da espécie.
Borges cita que há áreas de araucárias preservadas por agricultores justamente com o objetivo econômico de lucrar com a extração das pinhas. Ele lamenta que nas áreas preservadas, a araucária também seja alvo dos extrativistas. Além de causar danos à espécie, devido à colheita, a árvore acaba ficando comprometida durante a extração, já que os colhedores usam ferros que danificam a casca da árvore e podem levá-la à morte.
A portaria que proíbe a comercialização, até 15 de abril, e a derrubada da árvore produtiva, nos meses de abril, maio e junho, para Borges, não passa de um papel sem efeito, já que a venda antecipada demonstra que a fiscalização é falha. Além disso, a alegação dos vendedores informais, de que buscam uma renda extra no período, não se sustentaria. "E o resto do ano, o que eles fazem para sobreviver?", questiona.



