Moscou (AE) Exportadores brasileiros de carne bovina estão subornando funcionários russos para furar o embargo decretado em razão dos focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. A propina é de US$ 125,00 para cada tonelada de carne. O esquema foi revelado por um agente experiente no comércio de carnes entre os dois países.
Assim, os embarques do produto para a Rússia quase dobraram no período de dezembro de 2005 a janeiro de 2006. Passaram de US$ 24,82 milhões (12,5 mil toneladas) em dezembro para US$ 45,38 milhões (24 mil toneladas) em janeiro. O governo da Rússia decretou a ampliação do embargo à carne bovina brasileira em 12 de dezembro e a restrição não se limitou às áreas dos Estados em que foram constatados focos da aftosa.
Pedindo para não ter o nome revelado, por temer represálias dos russos e de outros envolvidos, esse agente conta que a propina serve para que os veterinários que inspecionam as carnes façam vistas grossas à data do abatimento da carne. Assim, produtos empacotados após 12 de dezembro continuam a ganhar o aval para seguir viagem rumo à Rússia.
No Brasil, quem faz a liberação das carnes para o mercado russo é a empresa Welby, com sede em Itajaí, município de Santa Catarina. Contatada pela reportagem, uma funcionária da empresa identificada apenas como Daniela afirmou que a Welby "presta serviços ao governo russo", fiscalizando e autorizando o embarque das carnes. Ela negou que a empresa seja do governo de Moscou, mas afirmou não saber quem é o proprietário.



