
Os moradores da Região Sul são os mais sexualmente ativos do país, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. O índice de pessoas que tiveram relações sexuais nos últimos 12 meses, no Sul, chegou a 82,8%. No Brasil, o índice apurado foi de 77,3%. Os dados são referentes ao ano de 2008 e a pesquisa anterior havia sido feita em 2004. Naquele ano, o Sul também aparecia na primeira posição, com 85,3% de respostas afirmativas.
Os pesquisadores percorreram as cinco regiões do país entre os meses de setembro e novembro de 2008. Foram feitas 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos de idade. Para o Ministério da Saúde, a análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
Quem trabalha com atividades relacionadas à sensualidade garante que na Região Sul as pessoas estão sempre preocupadas em apimentar seus relacionamentos e buscar uma vida sexual mais ativa. A professora de Educação Física Grazzy Brugner, por exemplo, dá aulas de Pole Dance a dança do poste em Curitiba e suas turmas estão sempre cheias de mulheres que buscam, além da atividade física, uma forma de surpreender seus companheiros.
Andreia Berté, consultora de artes sensuais e proprietária do Joanah Pink Centro Integrado da Mulher, fundado em Curitiba há seis anos, conta que ministra cursos em todo o país e que a procura na Região Sul é "impressionante". Para ela, isso tem a ver com o fato de as pessoas serem mais fechadas por aqui, enquanto em outras regiões elas são naturalmente mais soltas. Em função disso, completa, os moradores do Sul buscariam na sexualidade uma forma de extravasar. "É a ideia da aventura, do desafio, do aqui eu posso".
Mais sexo, menos proteção
A pesquisa do Ministério da Saúde também traz um dado preocupante. Ela mostra que a prática de sexo casual no Brasil cresceu 132% em quatro anos. Em 2008, 9,3% dos entrevistados informaram que tiveram mais do que cinco parceiros casuais no ano anterior. Esse índice era de 4% em 2004. Porém, o que preocupa a pasta é que o comportamento veio acompanhado por outra mudança perigosa: a tendência de queda no uso do preservativo. Em 2004, 51,6% diziam usar a camisinha com todos os parceiros eventuais. Esse porcentual caiu para 46,5% em 2008.
A situação verificada no país não é diferente na Região Sul. O porcentual de indivíduos com mais de cinco parceiros eventuais no último ano subiu de 2,6% em 2004 para 8,3% no ano passado. Enquanto isso, o uso de preservativo com parceiro eventual caiu de 60,9% para 47,7%.
São eles que se preocupam mais em usar a caminha. O estudo aponta que 63,8% dos homens se protegeram usando camisinha antes da primeira vez com uma pessoa, enquanto 57,6% delas disseram ter feito o mesmo.




