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Transporte coletivo

Superlotação lidera queixas

Pesquisa mostra que ônibus lotado e preço são as principais reclamações de passageiros

Nos horários de pico, usuários enfrentam a superlotação: incômodo diário | Fotos: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Nos horários de pico, usuários enfrentam a superlotação: incômodo diário (Foto: Fotos: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo)
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Os principais problemas do transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana são a superlotação (59,78%) e o preço da tarifa (37,71%), de acordo com levantamento do Paraná Pesquisas, encomendado pela Gazeta do Povo. E o excesso de usuários é, na realidade, problema mais complexo do que a mera falta de conforto. Há um mês, a auxiliar de serviços gerais Cleonice Ferreira Gouveia foi atropelada, depois de cair de um ônibus superlotado. As perícias e a investigação criminal indicaram que não houve falha do veículo, mas há unanimidade de que o elevado número de passageiros contribuiu para a tragédia.

Dos 716 habitantes maiores de 16 anos entrevistados na pesquisa, 47,82% usam o transporte coletivo para trabalhar ou estudar. Entre eles, 56,52% utilizam ônibus por uma razão simples: não têm carro. Em Curitiba, atualmente, o inchaço de veículos gera constantes congestionamentos nos horários de pico. Especialistas defendem que, se o transporte coletivo não ofertar benefícios aos usuários, as dificuldades de tráfego serão cada vez maiores. Na pesquisa, o carro é o segundo meio mais usado para trabalhar e estudar, com 20,58% de citações.

O problema da superlotação não é novidade e se estende há muitos anos na capital. Em 1997, o número de usuários do transporte coletivo desmoronou. Conforme planilha da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), cerca de 320 milhões de passagens foram vendidas em 2007. Dez anos antes, os índices eram superiores: quase 350 milhões.

Apesar da queda de usuários e aumento de ônibus nas ruas (em 2009, a frota vai aumentar em 90 veículos, incluindo os ligeirinhos articulados), o excesso de passageiros, paradoxalmente, persiste em várias linhas. Apesar disso, o transporte coletivo é avaliado como bom ou ótimo por 60,34% dos entrevistados.

Estrutura

Para especialistas, a capacidade do sistema de transporte coletivo decai pela falta de investimentos, sobretudo nos terminais de ônibus e estações-tubo da cidade. "É preciso avaliar linha a linha. Em alguns locais, é necessário aumentar o terminal, criar um segundo terminal ou ampliar a estação-tubo. Porém, não podem ser atitudes isoladas. É necessário planejar antes de investir", diz o diretor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), Carlos Hardt.

Dos 21 terminais da cidade, 18 estão em obras. A única ampliação, no entanto, ocorre no Pinheirinho, um aumento de 40% na capacidade ao custo de quase R$ 4,5 milhões. Os demais espaços receberão reformas em pisos, estações-tubo, melhorias de acessibilidade e obras de manutenção. O valor das intervenções ultrapassa os R$ 7,6 milhões. Os terminais do Cabral e Capão da Imbuia serão reconstruídos e a reforma do Hauer está sendo licitada. "Mesmo que se implante um novo modelo de transporte, o sistema existente precisa ser atualizado constantemente para suportar a demanda", explica Luiz Cláudio Mehl, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).

Conforme o coordenador do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo, Orlando Pinto Ribeiro, além da melhor performance dos terminais e estações-tubo e aumento da frota, outras duas medidas precisam ser implementadas para melhorar o fluxo do transporte coletivo: definição de faixas exclusivas e coordenação dos semáforos, privilegiando os ônibus. "Sem usar essas ferramentas simultaneamente, não há como dar capacidade nova ao transporte coletivo de uma grande cidade", esclarece. "E existem necessidades emergenciais, em Curitiba, no horário de pico."

Velocidade

De acordo com Ayrton Amaral, diretor-executivo do Sindicato das Empresas de Transporte de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Curitiba poderia dobrar a capacidade do transporte coletivo. "A base dos sistemas de transporte de massa é a velocidade. Por exemplo, se uma linha cumpre o seu trajeto com média de 30 quilômetros por hora. E, nesse trajeto, há aumento do número de automóveis, mais semáforos e lombadas, a velocidade cai", ensina. "Na prática, se os obstáculos dobram o tempo de viagem de um veículo, a capacidade do sistema cai pela metade."

Para Amaral, há necessidade de investir em canaletas exclusivas. "Poderia se criar canaletas circulares para linhas como o Inter 2", diz. E a ultrapassagem de ônibus – o que vai ocorrer na Marechal Floriano – é uma das ferramentas eficientes para aumentar a velocidade do sistema. "Ônibus sem parar aumenta a capacidade de transporte", completa.

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