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Saúde

Surto de dengue respeita ciclo de 4 anos

Especialista prevê epidemia ainda pior no Paraná em 2011, com base nos dados de 2003 e deste ano

Ponta Grossa – Depois de os casos de dengue atingir em recorde histórico nesta semana no Paraná, o consultor do Ministério da Saúde no Programa de Combate à Dengue da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Glauco Oliveira, afirma que dentro de quatro anos a epidemia pode ser maior devido ao comportamento cíclico da doença. Em 2003, o Paraná teve 9.355 casos de dengue. Até então, tinha sido o ano com maior incidência da doença. Desde o início deste ano, no entanto, a dengue já chegou à marca de 10.017 casos, com seis mortes confirmadas.

Segundo Oliveira, a tendência é aumentar o número de casos e a gravidade da epidemia em 2011, já que uma grande parcela da população foi submetida à doença neste ano. Outro fator é o aquecimento global. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, encontra condições propícias para a reprodução e ação em temperaturas médias superiores a 25ºC. De acordo com Oliveira, o frio no Paraná não serve como um controle natural da doença, conforme opinião do geógrafo e pesquisador da dengue, Francisco Mendonça, mas a baixa temperatura é um empecilho natural para a sobrevivência do mosquito, que ainda não se adaptou à essa mudança climática.

Oliveira frisa que, mesmo com a chegada do frio, as ações de combate à dengue irão se manter no estado. "Isso porque se trata de um programa do Ministério da Saúde e não de uma simples campanha contra a doença", enfatiza, acrescentando que o empenho cabe aos três segmentos do poder público: união, estado e municípios, além da população. Ele considera ainda que o recorde histórico atingido nesses primeiros meses do ano se deve às altas temperaturas e à expansão da doença em regiões vizinhas, como o Paraguai e o estado do Mato Grosso do Sul.

Uma vez depositado pela fêmea, o ovo do Aedes pode eclodir em até 450 dias. Ele se acumula em reservatórios artificiais de água limpa e parada, onde encontra condições de sobrevivência. Com uma pequena elevação na temperatura, aponta o consultor do Ministério da Saúde, o ovo pode virar larva e posteriormente mosquito.

Para combater o mosquito, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) distribui fumacê às secretarias municipais de Saúde, que organizam o cronograma de aplicação. No entanto, de acordo com Oliveira, o veneno não tem 100% de eficácia. Portanto, o fundamental, segundo ele, é a população se conscientizar da importância da eliminação do criatório. Além do inseticida, a Sesa também é responsável pela sorologia dos doentes. Os kits de exames, de acordo com a secretaria, estão sendo suficientes para a detecção de casos.

Para formar adultos mais conscientes dos riscos da dengue, Oliveira aposta na eficiência de programas educativos em longo prazo. A Secretaria de Estado da Educação, por exemplo, está incluindo o tema dengue no currículo da rede estadual de ensino. Além disso, a luta contra a existência de reservatórios deve ser perene. "Não adianta só o poder público investir, é preciso que cada paranaense seja um agente de saúde, verificando se em sua casa não tem água parada e limpa que sirva de criatório para o mosquito", alerta.

Mutirão

As ações da "Guerra à Dengue", coordenadas pela Defesa Civil, chegam hoje às cidades de Altônia e Terra Rica, ambas no Noroeste do estado. Cerca de 650 voluntários participam das atividades, ao lado das equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Exército. O mutirão terá a presença de oficiais da Justiça, que garantem a inspeção de imóveis abandonados ou fechados.

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