O prédio do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no bairro Jardim das Américas, em Curitiba, que chegou a ser isolado pelo Corpo de Bombeiros no fim da manhã desta quinta-feira (5) foi liberado por volta do meio-dia, após descartada a possibilidade de vazamento de material radioativo. Os bombeiros foram acionados por volta das 10 horas com a informação de que uma ampola de césio 137 havia caído no chão e se rompido, mas a suspeita não se confirmou. O susto surgiu quando uma máquina de cintilografia, da unidade de farmacologia, era transportada para um depósito de inservíveis da universidade. "É um equipamento utilizado em radiologia, mas que funciona com baixos índices de radiação", explica o professor Alfredo Oliveira, do Departamento de Química da UFPR.
Para ele, a tensão no campus foi gerada desnecessariamente. "Isolamos uma área equivalente a um quarteirão de acordo com um protocolo padrão para o transporte de equipamentos que trabalham com material radioativo", diz. Ele explica que a cápsula de césio que faz parte da máquina é móvel. "É uma peça solta, não chegou a se desprender e não houve acidente nenhum, ao contrário do que chegou a ser falado", afirma.
Depois do boato de que teria havido vazamento de material nuclear, Oliveira foi chamado para fazer a medição do nível de radioatividade, e concluiu que não havia perigo. "A máquina era muito antiga, e já não tinha mais radioatividade. A água que a gente bebe é mais radioativa que aquela cápsula", define. O Corpo de Bombeiros e a Vigilância Sanitária também foram acionados, com a informação de que o césio teria vazado.
Após o susto, a cápsula foi recolhida por uma equipe da Vigilância Sanitária, sob o acompanhamento dos bombeiros, e a área isolada foi liberada. De acordo com a UFPR, o material recolhido será encaminhado ao Centro Nacional de Energia Nuclear.
O césio 137 contido na cápsula do equipamento de cintilografia é um elemento utilizado em reações nucleares. O mesmo material foi responsável pela morte de quatro pessoas e contaminação de outras centenas na cidade de Goiânia, em setembro de 1987. Na ocasião, o dono de um ferro velho abriu uma cápsula e, surpreso com a luz que a peça irradiava, levou para casa e mostrou para parentes e amigos.



