
Durante o Fórum do Ambiente Construído Sustentável (Focus), que será realizado amanhã e sexta-feira, em Curitiba, os profissionais ligados à construção civil vão elaborar uma cartilha sobre sustentabilidade. O material reunido nessa publicação será o resultado do trabalho de seis grupos que vão discutir temas como uso da água, reciclagem de resíduos, eficiência energética e materiais. A preocupação em reduzir os impactos ambientais vem ganhando espaço na construção, mas Curitiba ainda não tem nenhum prédio com o chamado selo verde. O primeiro está em construção (veja texto nesta página).
Jeferson Dantas Navolar, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil Departamento Paraná, diz que quando se fala em sustentabilidade é possível recuar séculos. "A arquitetura grega, por exemplo, já pensava na saúde pública da população". No Brasil, segundo ele, a bioarquitetura entrou em pauta por volta de 1987 e na última década surgiu o tema da sustentabilidade. Os primeiros protocolos sobre o assunto, completa, foram assinados na Rio 92, a conferência sobre meio ambiente.
Um dos arquitetos responsáveis pela Realiza Arquitetura, Frederico Carstens, lembra que há dez anos começaram a surgir as empresas certificadoras nos Estados Unidos. "O pacote veio pronto para o Brasil e isso não é bom, porque o princípio da sustentabilidade é o pensamento do caso a caso", afirma. Carstens, que faz parte da diretoria de Sustentabilidade da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), diz que o termo está sendo usado de forma maciça e sem critério. "Se o consumidor achar que está sendo ludibriado, vamos precisar de mais 20 anos para que ele volte a acreditar na importância da preocupação com o empreendimento sustentável", alerta.
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR) para a área de meio ambiente, Tiago Guetter, garante que todas as empresas estão preocupadas em racionalizar construções, evitar o desperdício, treinar os operários, usar novas tecnologias e reaproveitar os materiais nas obras. De acordo com ele, essa preocupação deve começar pelo projeto, que tem de aproveitar os recursos naturais.
Guetter lembra que muitas exigências são feitas pela prefeitura de Curitiba. O projeto deve prever, por exemplo, o reaproveitamento da água da chuva para limpeza de calçadas ou uso em jardins. "Todos os projetos arquitetônico, elétrico, hidráulico já devem prever a questão da sustentabilidade", diz. A prefeitura cobra, ainda, a gestão dos resíduos na obra.
Para Navolar, não há escolha: "Ou melhoramos o consumo em todas as classes ou o planeta vai se exaurir." Em sua opinião os arquitetos devem "olhar a cadeia produtiva como um todo" e não ficar apenas produzindo "arquitetura confortável". Carstens afirma que um projeto inteligente, bem feito, já é fazer arquitetura sustentável. "O que acontece é que com o período de revolução industrial e abundância energética as lições da vovó ficaram para trás e muitos profissionais deixaram de fazer arquitetura inteligente, que é sustentável."
Com relação a custos, Navolar diz que não é correto falar em aumento de gastos, mas em maior capacidade de gestão de quem está produzindo essa arquitetura. Para Carstens, o saldo final é de uma "economia significativa". "Você põe mais vidros e tem um custo maior, mas depois terá uma economia permanente de energia", explica o arquiteto.
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Serviço
Paralelamente ao Fórum do Ambiente Construído Sustentável será realizada a Feira de Materiais e Produtos Amigáveis ao Meio Ambiente e o VIII Encontro de Arquitetos do Paraná. Mais informações pelo telefone (41) 3336-3810.



