São Paulo Na primeira noite depois de ter sido novamente detida, segunda-feira, Suzane von Richthofen, de 22 anos, encarnou o papel de menina frágil. Recusou o jantar e passou a noite quase em claro no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A ré confessa do assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, disse a delegados que estava apavorada com a possibilidade de ir para um presídio comum. "Tenho medo de morrer. Quase morri numa rebelião na Penitenciária Feminina (da Capital, PFC). Por isso meu advogado está entrando com habeas-corpus", disse, com voz chorosa. Apesar desse temor, Suzane foi transferida ontem à tarde para a Penitenciária Feminina de Santana, zona norte de São Paulo.
Em agosto de 2004, Suzane teve de ser retirada à pressas da PFC, durante uma rebelião. As presas achavam que ela tinha uma série de regalias e ameaçavam matá-la. Foi então conduzida ao Centro de Ressocialização de Rio Claro.
E era para lá que Suzane deveria retornar ontem, após negociação entre o DHPP, a Secretaria da Administração Penitenciária e o tutor da jovem, Denivaldo Barni. A vaga estava garantida desde o meio-dia de ontem. Mas, às 18 h, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho divulgou que ela seguiria para o presídio de Santana.
Com a franja loira caída nos olhos e evitando olhar para os policiais, Suzane disse que jamais pensou que a entrevista dada ao Fantástico a levaria de volta à prisão. "Eu dei a entrevista instruída pelos advogados. A idéia era mostrar o meu lado humano."
A informação foi confirmada por Barni, que assumiu a tutela de Suzane desde a morte de Marísia e Manfred, em outubro de 2002. A jovem confessou ter aberto a porta de casa para o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Christian, que executaram o casal. Barni disse aos policiais do DHPP que foi enganado pela equipe do Fantástico. "Nunca imaginei que isso (a prisão) pudesse acontecer."
Apesar disso, o tutor disse que a preventiva só foi decretada porque o juiz Richard Francisco Chequini, do 1.º Tribunal do Júri, entendeu que o irmão de Suzane, Andreas, corre risco de vida com ela solta. O julgamento de Suzane está marcado para 5 de junho.
Assassinato
19 anos era a idade de Suzane quando a jovem abriu a porta da casa da família para que os irmãos Cravinhos assassinassem o casal Richthofen, pais da ex-estudante.



