Assumir o comando do fogão deixou de ser só coisa de donas de casa, churrasqueiros de plantão e profissionais da culinária. Aprender a cozinhar, e se dedicar à tarefa, virou terapia ocupacional de executivos, médicos, advogados e outros profissionais que querem reunir a família e os amigos em torno de uma mesa bem produzida e, principalmente, abastecida por pratos de "tirar o chapéu" (ou melhor: raspar o fundo da panela).
"Cozinhar é uma terapia manual, como um artesanato. Com uma coisa a mais: mexe com o prazer das pessoas que experimentam o prato e você recebe o retorno do trabalho na hora", afirma Letícia Krause, chefe de cozinha há nove anos e professora da Tudo Gastronomia e Design. Ela montou um curso com aulas avulsas, semanais, justamente para atender o público que quer cozinhar por hobby.
Para Tháys Ferrão, coordenadora do curso de chefe de cozinha do Centro Europeu, a visão sobre a cozinha mudou há alguns anos. "De um tempo para cá ela começou a ser vista como um ambiente em que se fica tranqüilo, com segurança e tem um clima mais informal, diferentemente de ir a um restaurante e se ver obrigado a ir embora mais cedo, porque estão querendo fechar", diz ela. No curso profissionalizante da escola, de dez meses com quatro aulas semanais, de 35% a 40% dos alunos estão mais interessados em cozinhar eventualmente do que em se tornar um profissional na área. "Tem pessoas que fazem o curso à noite, chegam cansadas do trabalho, e saem daqui com uma aparência bem mais relaxada", conta.



