Mais do que a materialização do projeto desenvolvido pela prefeitura nos últimos cinco anos, a construção da estação-central do eixo metropolitano de Curitiba em uma área vizinha à Praça Eufrásio Correia, no centro, terá um significado histórico para a cidade. Será o resgate de uma região que, no passado, foi parada obrigatória dos bondes elétricos que funcionaram na capital até 1952.
"A praça foi, por muitos anos, o coração de Curitiba, um ponto de encontro para as pessoas que chegavam à cidade", afirma o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Henrique Fragomeni. Além dos bondes, a Eufrásio Correia (que já foi chamada de Praça da Estação) abrigou, ao seu redor, a estação ferroviária que recebia os viajantes numa época em que o trem era o principal meio de transporte de longa distância. "Era a porta de entrada de muitas pessoas que chegavam a Curitiba", lembra.
Nas últimas décadas, a região entrou em decadência e a Eufrásio Correia caiu no esquecimento com a desativação dos bondes, a ascensão da Praça Rui Barbosa como o grande terminal do anel central e a derrocada do transporte ferroviário em todo o Brasil. "Por um lado foi bom, porque a praça se manteve (conservada)", diz. Mas o crescimento demográfico e a expansão territorial da cidade, que se confunde com a região metropolitana, tratou de colocar a praça novamente no foco dos projetos da prefeitura.
Posse
O pontapé inicial deste resgate histórico será a tomada de posse da área vizinha à praça e que conserva até hoje os trilhos do bonde no interior do imóvel. O terreno, com 6 mil metros quadrados, fica na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava, entre a Travessa da Lapa e a Rua Barão do Rio Branco, ao lado do Palácio Rio Branco, prédio histórico da Câmara Municipal.
A área ocupada nas últimas décadas pela concessionária de veículos Ford Slaviero deverá passar, dentro de um mês, para as mãos da prefeitura como resultado de uma permuta. O município repassou para a Slaviero uma área de 11,4 mil m2 no bairro Portão, situado na Avenida Presidente Kennedy. O local, próximo ao terminal de ônibus do Portão, já abrigou programas sociais da prefeitura em antigas gestões, como o mercado de ofícios e um sacolão de frutas e verduras, mas estava abandonado nos últimos anos.
Em 23 de dezembro de 2003, o então prefeito Cassio Taniguchi sancionou a Lei 10.922, aprovada pela Câmara de Vereadores, que autorizou a troca dos terrenos para "implantação de terminal de transporte e equipamentos urbanos", conforme informa o artigo 2.° da lei. O terreno da Kennedy foi avaliado em R$ 4,75 milhões pela Comissão de Avaliação de Imóveis (CAI) da Secretaria Municipal de Administração, enquanto o preço fixado pelo imóvel da Visconde com a Barão foi de R$ 4,57 milhões.
Segundo a diretoria de marketing da Slaviero, a desocupação do imóvel ocorrerá no dia 14 de maio. Toda a estrutura da concessionária será transferida para a sede da empresa na Avenida Iguaçu. Já o terreno da Kennedy foi cercado para evitar invasões, mas não há previsão de quando será iniciada a construção da nova concessionária. Apenas uma faixa com os dizeres "Futuras Instalações da Slaviero" atiçam a curiosidade dos moradores.
De acordo com Fragomeni, como ainda está em fase de estudos, não há um detalhamento das modificações que serão feitas na área e muito menos uma previsão do início das obras. "O que posso adiantar é que não será um terminal de ônibus, mas uma estação de tangenciamento (de passagem)", explica. Segundo ele, linhas biarticuladas que trarão passageiros do eixo Norte-Sul ao centro via eixo metropolitano (a BR-476 será transformada em uma grande avenida ligando o Pinheirinho ao Atuba) farão sua parada na estação.
O acesso ao local será facilitado já que biarticulados transitam pela Travessa da Lapa e a Avenida Sete de Setembro. Mesmo assim, o assunto é tratado com cautela. "A implantação da estação passará por uma ampla discussão", afirma ele.
O futuro ponto de parada dos ônibus do eixo deve resolver também o problema da superlotação das estações-tubo da Praça Eufrásio Correia, que chegam a registrar nos horários de pico cerca de 22 mil pessoas/hora por sentido, segundo o presidente do Ippuc.



