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Segundo as investigações, Renata e Bernardo teriam sido mortos em decorrência de uma disputa de poder dentro de um grupo neonazista | Arquivo familiar/
Segundo as investigações, Renata e Bernardo teriam sido mortos em decorrência de uma disputa de poder dentro de um grupo neonazista| Foto: Arquivo familiar/

Os desembargadores da 1.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná negaram, por unanimidade, na tarde desta quinta-feira (7) os principais recursos das defesas dos acusados de matarem Bernardo Dayrell e Renata Waeschter Ferreira em 2009 em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O julgamento dos recursos havia sido suspenso há duas semanas em razão de pedido de vistas do relator Antonio Loyola Vieira. Apesar disso, a acusação conquistou uma vitória importante no caso. Ricardo Barollo, acusado de ser o mandante do crime, vai responder pelos dois homicídios. A defesa dele pedia que o assassinato da Renata não recaísse contra seu cliente, pois teria ocorrido em razão das circunstâncias, não pelas supostas ordens de Barollo.

Os outros réus – Jairo Maciel Fischer e João Guilherme Correa – seriam os executores do crime. Rodrigo Mota, Rosana Almeida e Gustavo Wendler, também denunciados, teriam contribuído para que o casal fosse assassinado. Seus recursos também foram negados. Eles pediam a impronuncia de seus clientes por uma série de supostas nulidades.

“Mas todas as nulidades foram rechaçadas. O nosso receio que o Barollo não respondesse pelo homicídio da Renata foi superado”, afirmou o assistente de acusação do caso José Carlos Portella Junior. Segundo ele, uma questão ainda não ultrapassada na fase de recursos. Os desembargadores determinaram que o juízo natural do caso, de Campina Grande do Sul, analise os pedidos da defesa de Barollo de desmembramento do caso – solicitação para que o acusado seja julgado em um júri de forma separada.

Se o juízo de Campina Grande do Sul negar o pedido de desmembramento, é possível que a preparação para o júri seja iniciada com apresentação do rol de testemunhas e convocações dos jurados. A expectativa é que o júri ocorra ainda este ano.

Recursos

De acordo com o advogado de Barollo, Adriano Bretas, novos recursos ainda serão analisados pela defesa. Ele, no entanto, não abrirá mão do desmembramento, pois argumenta que em um julgamento com os outros réus não terá tempo igual para se defender. Segundo o advogado, os outros acusados colocarão a culpa dos homicídios em seu cliente. Portanto, argumenta o advogado, Barollo teria que se defender não apenas da acusação formal do Ministério Público, mas também do corréus. “Não poderei ter como aplicar defesa plena ao meu cliente”, disse.

O advogado de Rosana e Gustavo, Hélio Anjos Ortiz Neto, explicou que pretende recorrer, mas ainda analisará os votos dos desembargadores. O defensor de Fisher, Adriano Uema, também não teve acesso ainda aos argumentos dos desembargadores. Portanto, não se pronunciou agora. A reportagem tentou novamente localizar o advogado do réu João Guilherme, mas sem sucesso.

O caso

O duplo assassinato de Bernardo e Renata ocorreu em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba, na região da BR 476, em razão da disputa de poder dentro de um grupo neonazista. Eles foram mortos na madrugada do dia 21 de abril de 2009 com tiros na cabeça quando participavam de uma festa em comemoração pelo aniversário do ditador alemão Adolf Hitler (1889-1945).

De acordo com a polícia, na época, a execução foi encomendada pela liderança nacional de um movimento neonazista por causa de uma disputa de poder entre grupos rivais. A polícia contou naquele ano que Barollo não aceitaria a ascensão de Bernardo, tido como um líder intelectual do movimento no Paraná. A defesa de Barollo sempre afirmou que nunca fez parte do projeto político defendido pelos neonazistas.

Os dois universitários foram atraídos para uma emboscada, segundo a polícia. Quando já estavam retornando para a festa, um dos suspeitos, pediu que parassem no acostamento. Bernardo e Renata foram obrigados a descer do carro. Os dois universitários foram assassinados com tiros na cabeça por Correa e Fischer – que seguiam no veículo de trás, segundo a polícia.

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