
Embora 80% das mulheres sofram com sintomas da Tensão Pré-menstrual (TPM), apenas 35% delas já tocaram no assunto com seus médicos. A maioria prefere conversar e trocar dicas com as amigas ou simplesmente esperar o incômodo passar. Entre as justificativas para não procurar tratamento estão a crença de que a TPM é passageira, a dificuldade de acesso a consultas médica e a percepção de que não há abertura para falar do tema com o médico.
Os resultados foram apontados pela pesquisa "Tensão Pré-Menstrual: Perspectivas e Atitudes de Mulheres, Homens e Médicos Ginecologistas no Brasil", realizada pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas, com o apoio do laboratório farmacêutico Bayer Schering Pharma. O estudo envolveu 1.580 entrevistados, a maior parte (77%) com idade entre 20 e 35 anos, sendo 1.053 questionários aplicados a mulheres e 527 aplicados a homens de diferentes classes sociais. A pesquisa contou ainda com entrevistas feitas com médicos ginecologistas.
Os especialistas asseguram que a TPM, seja em maior ou menor grau, pode sim ser tratada, mas precisa ser diferenciada de outras doenças. "Os sintomas pré-menstruais melhoram ao iniciar o fluxo. Deve haver um período livre de sintomas, se não for assim a causa não deve ser TPM", alerta a médica ginecologista Marta Rehme.
Nos casos mais leves, cuidados com a alimentação e a prática de exercícios físicos são suficientes para minimizar os sintomas. Quando eles são mais intensos, envolvendo cólicas, fortes dores de cabeça, irritabilidade ou depressão, o uso de anticoncepcionais específicos para evitar a oscilação hormonal ou até mesmo de antidepressivos em doses menores no período pré-menstrual pode ser indicado.
Segundo a médica, a maioria das mulheres tem sintomas esporádicos e conseguem conviver bem com eles. No entanto, aproximadamente 25% das que sofrem de TPM têm sintomas clínicos que se repetem todos os meses. Dessas, 3 a 8% sofrem de quadros graves a ponto de ter interferências na qualidade de vida.
A TPM é resultado de alterações nos padrões hormonais ao longo do ciclo. "Se não tratada, a mulher vai conviver com os sintomas para o resto da vida, só vai melhorar quando chegar a menopausa ou se retirar os ovários", afirma a médica ginecologista e homeopata Claudia Mara Abdala.
Durante anos a professora de educação física Isislene Spilmann sofreu com os sintomas da TPM. Enxaqueca, irritação, sensibilidade e uma vontade incontrolável de comer chocolate. "Minha qualidade de vida era zero, passava mal mesmo", lembra. Isislene trocou de médico diversas vezes e tentou usar os mais diversos tipos de anticoncepcionais. Já desacreditada, ela decidiu tentar a homeopatia. "Faz uns oitos meses que estou tratando e no terceiro mês senti a diferença. Nem as dores de cabeça não tenho mais", relata.
Claudia explica que a homeopatia funciona porque consegue equilibrar todas as funções fisiológicas. "Na consulta se levanta todo o histórico da paciente para que se possa identificar a causa do problema, muitas vezes é preciso curar o emocional para que o físico se resolva."



