Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Londrina

Trabalhador tem as duas mãos reimplantadas após acidente

Rapaz teve as duas mãos decepadas em uma guilhotina da fábrica de calçados. As mãos foram recolhidas e reimplantadas em uma cirurgia que durou mais de 24 horas

Um jovem de 25 anos que perdeu as mãos em acidente de trabalho virou paciente de uma cirurgia inédita no Hospital Evangélico (HE) de Londrina, no Norte do Paraná. Depois de uma operação de mais de 24h, Degilânio Verônica de Lima teve as duas mãos reimplantadas na última sexta-feira (1.º).

O microcirurgião Edson Takaki, responsável pelo procedimento, conta que o duplo reimplante é inédito no hospital. "Trabalho há 21 anos com isso e é a primeira vez que faço a operação com duas mãos de um paciente", conta. Segundo Tataki, a cirurgia foi considerada um sucesso.

Lima é funcionário de uma fábrica de calçados de couro em Apucarana, também no Norte. Na manhã da quinta-feira (31), ele prendeu a mão direita em uma guilhotina e, ao tentar puxá-la com a mão esquerda, acabou tendo as duas decepadas. Imediatamente ele foi levado a um hospital da cidade, que o encaminhou ao HE, em Londrina.

A equipe de Takaki é a única que realiza o tipo de cirurgia na região. "Fui informado pelo colega de Apucarana e quando o paciente chegou já estávamos com toda a sala cirúrgica preparada", conta. "O tempo entre o acidente e o reimplante é muito importante para o sucesso da cirurgia", explica.

As mãos de Lima foram recolhidas em um saco plástico, entregue dentro de uma caixa de isopor com gelo. Por volta das 10h da quinta-feira, a dupla cirurgia teve início. A equipe responsável pelo procedimento foi composta por três cirurgiões – que permaneceram na operação até pouco depois das 10h do dia seguinte –, além de anestesistas, que se revezaram no período de mais de 24h de cirurgia.

"A primeira etapa foi a reconstrução do sistema circulatório nos membros, com a ligação de todas as veias e artérias", conta o cirurgião. "Como houve esmagamento, algumas vias circulatórias foram danificadas, então tivemos que fazer ‘pontes’ com veias do antebraço, um procedimento semelhante ao que é feito no coração com a ponte de safena". Depois de reestabelecido o sistema circulatório, foram refeitas as ligações de tendões e pele.

Recuperação

Nesta segunda-feira (4), Lima está internado na Unidade de Tratamento Intensito (UTI) do HE, onde deve ficar em acompanhamento ao menos pelos próximos cinco dias. "Depende muito do caso, mas se ele se recuperar bem, em duas semanas deve estar em casa", afirma Takaki. Consciente, ele já chegou a mexer um dos dedos, segundo o médico.

Alguns fatores, como a idade de Lima e a rapidez para o início do procedimento, devem ser decisivos para uma boa recuperação. Apesar disso, de acordo com o cirurgião, uma das mãos pode ter seqüelas maiores que a outra. "Houve danos maiores em uma das mãos, então a estabilização das duas pode não ser igual. A menos danificada deverá ser de grande utilidade". Segundo o cirurgião, há casos em que houve completa recuperação do membro reimplantado e o paciente pôde voltar a trabalhar.

O médico explica que, apesar do sistema circulatório se refazer quase instantaneamente, a sensibilidade das mãos leva tempo para ser recuperada. "Os nervos têm comportamento diferente, avançam cerca de um milímetro por dia a partir do ponto de ligação". O acompanhamento médico em casos de reimplante varia muito de caso para caso, mas normalmente se estende por vários anos.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.