
Eles tinham em comum a inquietação diante da pobreza e uma necessidade de fazer algo pelo sofrimento alheio. Aí, veio o casamento. Marcelo Montanha Casanova e Maria Luiza Marinho Casanova se uniram em nome do amor e de uma ideia: ajudar o próximo. Há três anos, transformaram o trabalho social em projeto de vida, levando solidariedade e valores morais a crianças carentes da zona leste de Londrina.
"Algo dentro de mim queria usar todo o amor que eu tinha para fazer algo que eu não sabia o que era, não sabia onde e nem de que forma. Ela [Maria Luiza] também sentia isso", conta Casanova. Poucos meses depois do casamento, o casal começou a distribuir alimentos na região do Morro do Carrapato, o maior bolsão de miséria da cidade. Frutas, verduras e legumes rejeitados pelos consumidores dos supermercados passaram a matar a fome de dezenas de famílias.
Esse foi só o ponto de partida para um projeto maior, hoje chamado Galera de Deus Escola de Valores. Depois da fome de comida, veio à tona a fome de educação. "Nós percebíamos que a qualquer horário que íamos distribuir os alimentos, as crianças estavam sempre na rua, em condições de abandono", conta Maria Luíza.
Casanova começou a reunir forças para ampliar o trabalho. O primeiro desafio era arrumar tempo para encaixar o projeto na rotina. A solução foi radical. Marcelo deixou um emprego bem remunerado para se dedicar ao sonho. Maria Luiza, que é pós-doutora, professora do curso de Psicologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e tem carreira estável, passou a ser responsável por manter a casa. "Não somos consumistas e não temos amor ao dinheiro. A gente tem uma vida simples e com o meu salário fazemos tudo o que queremos", conta.
Hoje, o projeto distribui diariamente cerca de 300 quilos de alimento e atende 80 crianças e adolescentes com idades entre 5 e 15 anos. O prédio onde fica a sede foi locado por um dos vários colaboradores que abraçou a ideia. Quem também adotou a causa foi a UEL, transformando-a em projeto de extensão e oferecendo 25 estagiários dos cursos de Psicologia e Pedagogia. "Isso que está acontecendo aqui é fruto da presença da UEL na vida da comunidade", afirma Casanova. Além disso, a UEL cede um micro-ônibus que leva as crianças da escola para a sede do projeto e de lá para casa.
Funcionamento
Fomentado por apoios de todos os gêneros doações, ajudas financeiras, serviços voluntários o projeto oferece aos pequenos cidadãos refeições, reforço escolar em contraturno escolar, biblioteca, inclusão digital e social, dentista, diversão e, principalmente, dignidade. "O mais importante para nós é transmitir valores a eles. Queremos que aprendam que a dignidade não vem do que você tem, mas do que você é", explica Maria Luiza. E o objetivo parece estar sendo atingido. "Antes, eu xingava muito os outros, mas aqui aprendi que tenho que respeitar as pessoas como eu quero respeito para mim", conta Tamara Quintilhiano, de 13 anos.
Além do reconhecimento das próprias crianças, a iniciativa do casal foi reconhecida pelo Centro de Orientação e Encaminhamento Profissional (Coep), entidade nacional que homenageia cidadãos dedicados à promoção da cidadania, com o Prêmio Betinho Atitude Cidadã. Casanova foi indicado à honraria na edição 2011.
Serviço
Para votar no Prêmio Betinho Atitude Cidadã acesse o site http://www.coepbrasil.org.br/premiobetinho




