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Solidariedade

Trabalho social vira projeto de vida de casal

Projeto Galera de Deus oferece reforço escolar, inclusão digital e social, diversão e, principalmente, valores a pequenos londrinenses

Oitenta crianças e adolescentes são atendidos pelo Galera de Deus | Anderson Coelho/Jornal de Londrina
Oitenta crianças e adolescentes são atendidos pelo Galera de Deus (Foto: Anderson Coelho/Jornal de Londrina)
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Eles tinham em comum a inquietação diante da pobreza e uma necessidade de fazer algo pelo sofrimento alheio. Aí, veio o casamento. Marcelo Montanha Casanova e Maria Luiza Marinho Casanova se uniram em nome do amor e de uma ideia: ajudar o próximo. Há três anos, transformaram o trabalho social em projeto de vida, levando solidariedade e valores morais a crianças carentes da zona leste de Londrina.

"Algo dentro de mim queria usar todo o amor que eu tinha para fazer algo que eu não sabia o que era, não sabia onde e nem de que forma. Ela [Maria Luiza] também sentia isso", conta Casanova. Poucos meses depois do casamento, o casal começou a distribuir alimentos na região do Morro do Carrapato, o maior bolsão de miséria da cidade. Frutas, verduras e legumes rejeitados pelos consumidores dos supermercados passaram a matar a fome de dezenas de famílias.

Esse foi só o ponto de partida para um projeto maior, hoje chamado Galera de Deus Escola de Valores. Depois da fome de comida, veio à tona a fome de educação. "Nós percebíamos que a qualquer horário que íamos distribuir os alimentos, as crianças estavam sempre na rua, em condições de abandono", conta Maria Luíza.

Casanova começou a reunir forças para ampliar o trabalho. O primeiro desafio era arrumar tempo para encaixar o projeto na rotina. A solução foi radical. Marcelo deixou um emprego bem remunerado para se dedicar ao sonho. Maria Luiza, que é pós-doutora, professora do curso de Psicologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e tem carreira estável, passou a ser responsável por manter a casa. "Não somos consumistas e não temos amor ao dinheiro. A gente tem uma vida simples e com o meu salário fazemos tudo o que queremos", conta.

Hoje, o projeto distribui diariamente cerca de 300 quilos de alimento e atende 80 crianças e adolescentes com idades entre 5 e 15 anos. O prédio onde fica a sede foi locado por um dos vários colaboradores que abraçou a ideia. Quem também adotou a causa foi a UEL, transformando-a em projeto de extensão e oferecendo 25 estagiários dos cursos de Psicologia e Pedagogia. "Isso que está acontecendo aqui é fruto da presença da UEL na vida da comunidade", afirma Casanova. Além disso, a UEL cede um micro-ônibus que leva as crianças da escola para a sede do projeto e de lá para casa.

Funcionamento

Fomentado por apoios de todos os gêneros – doações, ajudas financeiras, serviços voluntários – o projeto oferece aos pequenos cidadãos refeições, reforço escolar em contraturno escolar, biblioteca, inclusão digital e social, dentista, diversão e, principalmente, dignidade. "O mais importante para nós é transmitir valores a eles. Queremos que aprendam que a dignidade não vem do que você tem, mas do que você é", explica Maria Luiza. E o objetivo parece estar sendo atingido. "Antes, eu xingava mui­­to os outros, mas aqui aprendi que tenho que respeitar as pessoas como eu quero respeito pa­­ra mim", conta Tamara Quin­­tilhia­­no, de 13 anos.

Além do reconhecimento das próprias crianças, a iniciativa do casal foi reconhecida pelo Centro de Orientação e Encaminhamento Profissional (Coep), entidade nacional que homenageia cidadãos dedicados à promoção da cidadania, com o Prêmio Betinho – Atitude Cidadã. Casanova foi indicado à honraria na edição 2011.

Serviço

Para votar no Prêmio Betinho – Atitude Cidadã acesse o site http://www.coepbrasil.org.br/premiobetinho

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